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24 de agosto de 2008 | N° 15705AlertaVoltar para a edição de hoje

Droga é mais perigosa quando consumida em raves

A combinação entre raves e ecstasy não é motivo de preocupação apenas pela liberalidade do consumo nesses eventos. O som alto e o excesso de exercício físico que caracterizam as festas agravam os riscos aos usuários. Estudos feitos em ratos demonstraram que, quando há associação entre grandes agrupamentos e alta temperatura, o efeito da droga é potencializado, conforme a pesquisa Review of Pharmachology and Clinical Pharmacology of 3, 4-methylenedioxymethamphetamine (MDMA or ecstasy), feita no Reino Unido, em 1995.

Outro estudo, realizado em 2002 na Universidade de Pisa, na Itália, demonstrou que a exposição a alto volume sonoro sob efeito de ecstasy causou mudanças cardíacas significativas em relação a grupos expostos apenas ao som ou apenas ao ecstasy. A associação também se mostrou muito perigosa em experimento feito na Universidade de Cambridge, na Inglaterra, em 2001: os ratos que não morreram apresentaram dano cerebral após a exposição ao som sob efeito de ecstasy.

– Pode-se supor que essa mudança no ambiente de uso de ecstasy esteja associada ao aumento de mortes e intoxicações – avalia a psicóloga Stella Pereira de Almeida em seu doutorado sobre ecstasy, realizado na Universidade de São Paulo (USP).

A RAVE
ZH acompanhou, na noite de 9 de agosto, uma das maiores festas de música eletrônica já realizadas no Rio Grande do Sul, constatando como o tráfico e o consumo de ecstasy são praticados livremente. Com público de 8,2 mil pessoas, a rave de 15 horas de duração ocorreu na zona rural de Viamão, na Região Metropolitana:
A CHEGADA
Ao sair do asfalto da RS-118 e ingressar na estrada vicinal onde ocorre a rave, os motoristas deparam com um congestionamento que traduz a popularidade da festa: em fila única, os carros levam de uma a duas horas para percorrer dois quilômetros na estrada de chão. Jovens com bebidas alcoólicas dentro dos carros fazem um aquecimento.
CAMBISTAS
Dezenas de cambistas circulam entre os carros parados:
– Ingresso e pirulito, ingresso e pirulito – gritam, enquanto caminham com sacos do doce nas mãos.
A oferta da guloseima – vendida a um inflacionado preço de R$ 2 a unidade – é a senha para indicar que os cambistas têm mais do que ingressos.
– Tem bala? – perguntam os repórteres, sem se identificar, a um deles.
– Consigo por R$ 50 – responde o cambista.
ZH se aproxima de outro cambista, faz a mesma pergunta e recebe a mesma resposta, sem rodeios. Embora não seja anunciado, o ecstasy faz parte do pacote.
FILA
Após vencer o congestionamento, acompanhado por um veículo da Secretaria Municipal de Transportes, os participantes têm de encarar uma fila de mais de 300 metros para entrar. A bala é um assunto corriqueiro.
– Todos os meus amigos usam, mas eu não gosto. Sou a únicaa, acho que não é legal – diz uma jovem, que se identifica como Verônica.
A jovem já viu a irmã desmaiar e ser levada ao pronto-socorro. Amante das festas de música eletrônica, ela admitiu já ter transportado comprimidos sob o boné para um amigo vendedor.
– Queriam me revistar, mas eu disse que tava com um machucado na cabeça e deixaram passar – conta.
Seu irmão, que a acompanha na festa, havia comprado uma bala de cambistas minutos antes.

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