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23 de agosto de 2008 | N° 15704AlertaVoltar para a edição de hoje

‘’Vamos introduzir a gestão empresarial na Polícia Federal”

Entrevista: Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Polícia Federal

Diretor-geral da Polícia Federal, o gaúcho Luiz Fernando Corrêa está convencido de que a perícia da instituição para investigar é prejudicada pela falta de traquejo na hora de administrar recursos e gerir orçamentos. Com o objetivo de superar essa falha, ele contratou consultorias que vão ajudar a dar um choque de gestão na PF. A intenção é adotar princípios empresariais de gestão, o que significaria estabelecer indicadores para traçar metas e cobrar desempenho de agentes e setores. Na entrevista a seguir, concedida ontem à tarde na Redação de Zero Hora, Corrêa fala do processo que promete revolucionar a Polícia Federal em curto prazo:

Zero Hora – O que está mudando na Polícia Federal?

Luiz Fernando Corrêa –
Historicamente, ela atuava em modelo reativo de gestão. A resposta às demandas era na superação. Estamos mudando isso para um modelo com planejamento estratégico de longo prazo, estabelecimento de metas e gestão de projetos. Realizamos um planejamento estratégico até 2022 para dizer que polícia nós queremos e agora estamos na fase de definir como fazer acontecer. Para isso, estamos contratando consultorias renomadas, que vão nos ajudar a introduzir o conceito de gestão e a fazer uma revisão de processos.

ZH – Isso significa que a PF vai adotar princípios empresariais?

Corrêa –
Exatamente. No que for possível, adaptando as variáveis ao serviço público, vamos introduzir modelos de gestão empresarial na Polícia Federal.

ZH – Na prática, o que isso vai significar?

Corrêa –
Significa que ela deixa de ser gerida por demanda e se projeta para o futuro através do planejamento estratégico, de projetos estruturantes com prazos, de metas para cumprir.

ZH – Na vida de um delegado, de um agente, isso vai ter que impacto?

Corrêa –
Impacta porque ele vai trabalhar com retaguarda e não com superação individual. Se tenho uma boa gestão, estou gerando um conforto para aquele trabalhador da Polícia Federal que está lá na ponta. Ele passa a ter a questão orçamentária, o custeio, ele passa a receber a diária antes de viajar. Antes estávamos pagando diárias com três meses de atraso.

ZH – Onde é possível racionalizar recursos?

Corrêa – Se melhorar a qualidade do gasto, posso fazer mais com o mesmo orçamento. É isto que estamos fazendo. São coisas como gestão de frota, com abastecimento com tíquete de combustível. Não é questão de economizar por economizar, mas de gastar bem porque é dinheiro do povo.

ZH – Que indicadores serão medidos?

Corrêa –
Isso nós vamos construir. Quando se fala em polícia, a gente pensa em indicadores como número de prisões e inquéritos instaurados. São relevantes, mas só eles não me dão dados para a gestão da polícia. Preciso de todos os indicadores que qualquer empresa tem, de desempenho, de custo, de capacidade de trabalho. Estamos introduzindo agora um registro eletrônico de presença, que até gerou um desconforto nos policiais. Isso não é para saber a hora que entrou e que saiu, mas para saber quem está disponível. São dados gerenciais que atualmente são feitos no papel e que agora estão na tela.

ZH – Como serão cobrados resultados dos agentes?

Corrêa –
Estamos em um processo de descentralização. Na medida em que tenho dados gerenciais das unidades, posso medir a eficiência das superintendências e das diferentes áreas de especialização. Posso medir o desempenho sobre resultado de investigação e no exercício de gestão. Se houver incapacidade de gestão, haverá substituição.

ZH – Uma maior cobrança não vai gerar resistência dos agentes?

Corrêa –
Pelo contrário. É o que o pessoal quer, porque crio ferramentas para estabelecer a meritocracia. Tenho indicadores para medir o desempenho. Tenho como medir o mérito. Quem trabalha na linha de frente se ressente de reconhecimento da administração.

ZH – A ineficiência de gestão prejudica o trabalho policial?

Corrêa –
Claro. Se a polícia estava fazendo o que fazia sem gestão, talvez fizéssemos mais operações, com mais qualidade. A novidade é que a gente deixa de agir intuitivamente e passa a ter metas.

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