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Ficou a cargo do povo paraguaio a cobrança pública ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre o contrato da usina binacional de Itaipu. No final da cerimônia de posse do presidente paraguaio, Fernando Lugo, em uma caminhada até o prédio antigo do parlamento, Lula ouviu gritos de “Itaipu, Itaipu”. Eram pessoas próximas à cerca que isolava as autoridades.
Lula apenas acenou, sem responder ou comentar a manifestação. Antes de embarcar de volta para o Brasil, no aeroporto de Assunção, ele afirmou que o Brasil se colocou à disposição do novo governo do Paraguai.
– Os paraguaios têm uma reivindicação antiga sobre Itaipu. Agora, nós precisamos saber qual é a demanda que o presidente Lugo vai fazer. Dentro daquilo que for possível, nós vamos negociar. Mas qualquer negociação que envolva aumento de tarifa para o povo brasileiro fica complicada – disse o presidente, sem detalhar até que ponto o Brasil pode ceder.
Na verdade, as negociações já se iniciaram.
Em um jantar de Lugo com o assessor
da Presidência Marco Aurélio Garcia, no dia 31 de julho em Assunção, foi repassado ao governo brasileiro um memorando de seis pontos centrado em pedidos a respeito de Itaipu. Os paraguaios querem revisar o contrato, para receber um valor maior pela energia vendida ao Brasil e abrir a possibilidade de negociá-la a outros países. O Brasil resiste e oferece investimentos em infra-estrutura, para incrementar a industrialização do vizinho.
Lugo reitera que não romperá leis vigentes
Pela manhã, uma multidão de paraguaios estimulados pela sentimento de mudança começou a ocupar bem cedo a Praça da Independência, no centro de Assunção. Ao som do guaran, música típica do país, eles embalaram a festa de posse de Lugo. Em seu discurso inaugural no cargo, ele manteve a aura de “presidente do povo” que caracterizou seu apelo de campanha, mas pregou austeridade.
– Aos empresários e agricultores deste país, posso garantir que terão o melhor
ambiente possível de trabalho no novo Paraguai –
afirmou, indicando que não pretende tomar posições radicais em relação ao capital privado e aos proprietários de terra temerosos pela ameaça de desocupações.
Intercalando em seu discurso frases no guarani e no espanhol, o primeiro presidente paraguaio que rompe 61 anos de hegemonia do Partido Colorado disse garantir que não haverá ruptura com instituições e leis vigentes. Mas reiterou que o seu será um governo do povo que sentirá as mudanças “imediatamente”.
No palco montado em frente ao Congresso, havia autoridades locais e chefes de Estado. Espalhados pela praça, trabalhadores e religiosos católicos. Em clima de celebração, o pronunciamento de Lugo foi entremeado por aplausos e saudações efusivas. O novo presidente evitou tocar em temas polêmicos num discurso preparado para agradar todos os tipos de público. Aos paraguaios, prometeu derrubar o estigma que associado ao nome do pais: a corrupção no serviço publico.
– O Paraguai como fama de corrupto
termina hoje. Não existem
instituições corruptas. Existem, sim, funcionários que se corrompem – afirmou.
O conteúdo nacionalista que insuflou a campanha da Aliança Patriótica para a mudança (APC, na sigla em espanhol) de Lugo foi deixado de lado em nome da diplomacia. Entre os chefes de Estado presentes à posse, estavam Lula e Cristina Kirchner, da Argentina. Para eles, Lugo foi pontual:
– Precisamos buscar o desenvolvimento compartilhado com os irmãos brasileiros e argentinos – disse.
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