Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Com o fim do conflito, no final de 1978, o governo da época ganhou um problema: o que fazer com mais de 30 acampamentos às margens das estradas de colonos expulsos das terras indígenas? Nos jornais, eles não eram mais tratados como intrusos. Eram sem-terra.
Um desses acampamentos entrou na história do Brasil: o da Encruzilhada Natalino, berço do MST. Os acampamentos se iniciaram em 1978 e só foram solucionados em 1982. E uma das razões para ter ocorrido isso é porque tanto o governo federal quanto o estadual tinham pressa em terminar com os pontos de concentração dos sem-terra, por temerem que se tornassem focos de agitação da Comissão Pastoral da Terra (CPT).
As soluções para os acampamentos ocorreram de diversas maneiras. Uma delas foi a legalização da invasão das fazendas Macali e Brilhante, em Sarandi, que eram de propriedade do Estado. A invasão foi organizada pelo padre Arnildo Frintz, um dos expoentes da CPT da região. De outros acampamentos, foram chegando
dezenas de agricultores para
o Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, na Região Metropolitana, onde deveriam ficar à espera de terras. Parte deles foi assentada em Mato Grosso e em cidades da parte sul do Estado. O governo do Estado também assentou ex-intrusos da área indígena em Palmeira das Missões. No final de 1979, existiam pouco mais de 12 acampamentos na região.
Mas ainda existiam colonos perambulando pela região ou morando em casa de parentes. Ademar Bento da Silva, o Cachimbo, expulso da área indígena e assentado pelo governo na Fazenda Brilhante, lembrou que andava pela estrada que liga Passo Fundo a Ronda Alta quando foi chamado por um trabalhador rural conhecido como Miguel Cachorro. Ele perguntou onde tinha uma pedaço de terra para invadir. Cachimbo respondeu:
- Olha, o que tinha de terra por aqui nós já invadimos. Mas ali tem uns acampados. Te acomoda por ali.
Eram poucas barracas em um lugar conhecido como Encruzilhada Natalino. Parte dos acampados era
formada por agricultores expulsos da
Reserva Indígena de Nonoai em 1978. Um outra parte de filhos de colonos pobres arregimentados por João Barbudo, como era conhecido na época João Pedro Stedile.
O tempo em que durou a Natalino, do final de 1979 a 1982, coincidiu com o declínio da ditadura militar no Brasil (1964 a 1985). Isso tornou o acampamento uma vitrine para aqueles que lutavam contra os militares.
Tanto que o governo federal enviou, em 1981, o coronel Sebastião Moura Curió para resolver a situação. Não conseguiu e foi embora. A missão do coronel era impedir que a idéia dos acampamentos de sem-terra proliferasse pelo Brasil.
A idéia proliferou com o nascimento do MST. O coronel foi para reserva e entrou para a política. E Stedile empregou-se como assessor do MST desde do nascimento da organização.
Grupo RBSDúvidas Frequentes | Fale conosco | Anuncie - © 2000-2007 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.