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16 de julho de 2008 | N° 15664AlertaVoltar para a edição de hoje

Varrendo a sujeira para dentro do Arroio Dilúvio

Um grupo de garis atirou ontem o resultado da varrição no afluente, já castigado pela poluição dos esgotos

Um grupo de garis fez ontem o que jamais se esperaria de profissionais responsáveis pela limpeza de Porto Alegre.

Os trabalhadores descartaram o resultado da varrição em pleno Arroio Dilúvio, já castigado pela imundice dos esgotos de uma parcela da Capital.

Imagens captadas pelo fotógrafo de Zero Hora Arivaldo Chaves comprovam o erro dos garis, que prestam serviço para o Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Eles foram fotografados por volta do meio-dia de ontem no cruzamento entre as avenidas Ipiranga e Erico Verissimo, no bairro Azenha. Usando uniformes da Cootravipa, empresa contratada pela prefeitura, eles despejavam sujeira dentro do Dilúvio. Carregavam com eles vassouras, carrinhos, pás e cones usados para sinalizar o trânsito nos locais onde varrem.

- Não podem fazer isso, está errado. Pretendemos notificar e multar a empresa - afirmou o supervisor de operações do DMLU, Adelino Lopes Neto.

Segundo ele, com o recurso de câmeras fotográficas em celulares, o órgão tem recebido mais reclamações de irregularidades. Assim, também ficou facilitada a comprovação dos casos:

- A foto prova o que aconteceu. E as multas aplicadas à empresa são progressivas, descontadas do que é pago a ela - enfatizou.

A sujeira despejada só piora uma situação já preocupante no Arroio Dilúvio. Ao final de maio, após 18 meses de trabalho com uma draga, o Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) retirou mais de 70 mil toneladas de entulho do local. Antes, vários canais de drenagem de água estavam obstruídos pelo assoreamento do arroio - causado por areia e outros sedimentos.

A dragagem melhorou o escoamento da água das casas de bombas 14 e 15, da galeria Santa Cecília e dos arroios Moinho e Cascatinha. Segundo a prefeitura, com isso, terminaram alagamentos provocados pela obstrução das canalizações.

( caren.baldo@diariogaucho.com.br )

CÁREN CECÍLIA BALDO
Contraponto
O que diz Isabel Cristina da Silveira, diretora administrativa da Cootravipa
Ela afirmou não acreditar que cooperativados tenham realmente despejado lixo no Dilúvio:
- Normalmente, nós limpamos, e não sujamos. Tem pessoas que trabalharam conosco, saíram e não devolveram os uniformes. Temos que avaliar bem a situação.
As equipes de varrição das ruas da cooperativa atuam supervisionadas, explicou Isabel. Para cada grupo de no máximo 11 garis, deve haver um supervisor.

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