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16 de julho de 2008 | N° 15664AlertaVoltar para a edição de hoje

Senado desiste de trem da alegria de R$ 12 milhões

Criação de 97 cargos sem concurso havia sido anunciada pela Mesa

Depois de uma enxurrada de críticas, a mesa diretora do Senado recuou ontem e desistiu de criar, sem concurso público, 97 cargos de confiança, que teriam salário bruto de R$ 9.970,24.

O impacto da medida foi calculado em mais de R$ 12 milhões por ano nas contas públicas.

Para evitar o desgaste, a Mesa nem chegou a se reunir, e seus integrantes preferiram comunicar informalmente ao presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), que desistiram da idéia.

Os senadores evitaram se expor num debate polêmico em plenário, e coube a Garibaldi anunciar oficialmente a decisão. Ele admitiu que a repercussão negativa influenciou os senadores.

- A repercussão foi negativa, ninguém pode negar, tapar o sol com a peneira. E entendeu a Mesa de cancelar. Quem sai fortalecido é o Senado, que soube reconhecer, através da sua Mesa, que a medida não era oportuna - disse Garibaldi, acrescentando que é importante sempre "estar em sintonia com a população".

Para justificar a nova posição, o entendimento foi de que a Mesa não havia decidido formalmente a questão, já que não houve votação ou ata sobre o assunto. Garibaldi exigia que a proposta fosse analisada pelo plenário do Senado.

Apesar de todos os líderes terem assinado, em abril, a proposta de criação dos cargos, o senador Efraim Morais (DEM-PB) acabou ficando sozinho na defesa da proposta. Diplomático, o presidente do Senado evitou criticar os colegas.

- Também não acho que a posição deles seja tão equivocada, que eles estejam tão na contramão. Não quero criar esse tipo de polêmica dentro de uma Mesa que eu presido.

Num Senado quase vazio às vésperas do recesso que começa hoje, alguns senadores fizeram uma autocrítica. Alguns, como o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), classificaram o episódio de "trapalhada".

- A impressão que eu tenho é de que isso foi uma grande trapalhada, deplorável trapalhada, que só compromete a instituição e os senadores. Tem de haver convicção: se é para criar cargo, que tenha razão e fundamento e defenda isso o tempo todo - disse Guerra.

Garibaldi confirmou que será realizado em setembro o concurso para abrir 150 vagas de técnico legislativo no Senado. Segundo a diretoria geral da Casa, o número de servidores concursados caiu, nos últimos anos, de 3,5 mil para cerca de 2 mil.

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