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24 de junho de 2008 | N° 15642AlertaVoltar para a edição de hoje

Palestinos refugiados no Brasil pedem transferência de país

Grupo de nove homens, incluindo dois "gaúchos", faz protesto em Brasília

Os motivos ainda não ficaram suficientemente claros, mas o fato é que nove refugiados palestino, dois deles de Santa Maria e sete da cidade paulista de Mogi-Mirim, estão acampados desde o dia 20 de maio em frente à sede do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), em Brasília, pedindo para ir embora do país.

Primeiro, chegaram três. Dias depois, os outros.

As exigências dos nove são comuns quanto ao fato de quererem migrar. O que varia são suas motivações. Uns reclamam de suposto atendimento precário à saúde, outros protestam contra o dinheiro recebido (R$ 350 mensais de ajuda de custo) e o tempo excessivo de trabalho (11 horas, dizem eles), o que os impossibilitaria de estudar português. Há, ainda, os que simplesmente alegam não ter gostado de viver no Brasil.

O grupo faz parte do contingente de 107 palestinos originários do Iraque acolhidos pelo Brasil no ano passado. Eles estavam abrigados precariamente em um campo de refugiados no deserto da Jordânia desde a queda de Saddam Hussein, em 2003.

Os nove manifestantes são homens e adultos. No caso dos que estavam em Santa Maria, suas famílias ficaram na cidade gaúcha, enquanto eles seguiram para Brasília.

O Acnur esclarece que não tem como atender à demanda de recolocá-los em outro país, por um motivo simples: é preciso que o país solicitado como destino queira aceitá-los.

A entidade se limita a recolocá-los, dependendo do interesse de cada país. Foi o caso do próprio Brasil, onde o governo abriu um programa dedicado a recebê-los. De acordo com o Acnur, todo o programa, incluindo atendimento médico, é cumprido. Os países para os quais os palestinos desejam ir são todos da Europa Ocidental.

Refugiados afegãos que vieram para o Brasil em 2002 também pediram transferência meses depois - e parte deles retornou ao país natal.

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