clicRBS

Buscar

">ZERO HORA.com

none
  •  | 
  • imprimir
  •  | 
  •  | 
  • letra A - | A +
12 de junho de 2008 | N° 15630AlertaVoltar para a edição de hoje

Confronto entre manifestantes e Brigada Militar leva 12 à prisão

Justiça mandou soltar, no fim da noite de ontem, os manifestantes presos durante protesto contra o preço dos alimentos e o governo de Yeda Crusius

Um protesto nacional contra multinacionais que produzem alimentos teve tempero extra no Rio Grande do Sul e acabou em confronto entre manifestantes e Brigada Militar na manhã de ontem na Capital.

A manifestação descambou para a violência, com dezenas de feridos e 12 presos. No fim da noite de ontem, a juíza Rosmari Girardi, do Serviço de Plantão Judicial de Porto Alegre, mandou soltá-los.

Capitaneado pela Via Campesina, o protesto juntou velhos conhecidos dos gaúchos, como os sem-terra, a personagens novos, caso dos universitários egressos dos movimentos. Eles se uniram em coro contra o governo de Yeda Crusius, abalado por uma crise política. A BM evitou que o grupo chegasse ao Palácio Piratini.

O combustível extra para a versão porto-alegrense da manifestação veio dos ataques ao governo do Estado, da revolta com a fraude no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e da ascensão do coronel Paulo Roberto Mendes ao comando da Brigada Militar. Os temas apareceram nas faixas e nos gritos de ordem, diferentemente do que ocorreu em outros locais do Estado (leia a página ao lado).

Houve conflito em dois momentos. Por volta das 9h30min,15 ônibus estacionaram na Praça Lupicínio Rodrigues, atrás do Ginásio Tesourinha, para dar início a uma caminhada rumo ao Palácio Piratini. Antes disso, a Via Campesina, que engloba os movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e dos Pequenos Agricultores, decidiu se manifestar contra o aumento nos preços dos alimentos no estacionamento do supermercado Nacional, no bairro Menino Deus.

No momento em que o grupo invadiu o local, a BM interveio, disparando balas de borracha. Houve correria e reação dos manifestantes, que passaram a jogar pedras contra os PMs.

- Cinco minutos, essa é a negociação. Cinco minutos para desocupar a rua, fale para o seu pessoal! - gritou o coronel Paulo Roberto Mendes, comandante-geral da BM, ao deputado estadual Dionilso Marcon (PT), que tentava mediar a situação.

A partir desse momento, o Batalhão de Operações Especiais (BOE), auxiliado por outros batalhões, conduziu o grupo até o Parque Mauricio Sirotsky Sobrinho - depois da confusão no supermercado, a BM decidiu não permitir que o grupo chegasse ao Palácio Piratini. Na Avenida Augusto de Carvalho, os policiais cercaram os manifestantes e os obrigaram a entrar no parque. Houve resistência, e a BM voltou a usar cassetetes.

- A Brigada sempre vai agir para evitar que esse tipo de protesto acabe em invasões de locais ou vias públicas. Sempre que for necessário, vamos usar a força - disse Mendes.


Confira vídeo feito do tumulto por um cinegrafista amador



Conforme o responsável pelo Comando de Policiamento da Capital, coronel Jarbas Vanin, com participantes do protesto foram apreendidas centenas de porretes, paus, pedras e simulacros de foices. Pelo menos cinco PMs teriam ficado feridos. Entre os manifestantes, segundo a coordenadora da Via Campesina Magali de Rossi, nove pessoas foram atendidas no Hospital de Pronto Socorro e cerca de outras 30 teriam sofrido ferimentos leves.

Novos caras-pintadas surgem na manifestação

Entre balas de borracha, bombas de gás e pedradas durante os conflitos que assustaram a Capital, um grupo despontava. Eram universitários urbanos, com a face pintada de branco, ostentando bandeiras do MST. As garotas usavam lenços do Movimento das Mulheres Camponesas. Vestidos de preto, com escudos e tocando tambores, eles foram a linha de frente do confronto, colocando-se entre a polícia e as demais camadas do protesto.

Conforme um líder estudantil, cresce o número de jovens universitários integrantes da Juventude da Via Campesina. Eles fogem à regra porque não pertencem à direção de DCEs, como geralmente se via em protestos. Seriam filhos de sem-terra que ingressaram em cursos como História, Ciências Sociais e Direito.

zerohora.com
Veja mais fotos do protesto

  •  | 
  • imprimir
  •  | 
  •  | 
  • letra A - | A +

Grupo RBSDúvidas Frequentes | Fale conosco | Anuncie - © 2000-2007 RBS Internet e Inovação - Todos os direitos reservados.