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27 de maio de 2008 | N° 15614AlertaVoltar para a edição de hoje

Um tabu na sociedade

No início da década, o psicanalista e antropólogo Eduardo Ely Mendes Ribeiro foi convidado para discutir a ameaça do consumo de drogas que, supostamente, estaria crescendo em um município de 6,6 mil habitantes no noroeste gaúcho. Comunidade mobilizada, salão paroquial lotado, juiz, prefeito e delegado à mesa, Ribeiro ouviu as manifestações. Os discursos falavam da importância de se unir contra as drogas, que comprometiam o futuro, que traziam violência. Ao final, Ribeiro consultou um funcionário do município sobre a real dimensão do problema e ouviu o seguinte:

- Não há problemas graves com drogas e não há dependentes.

Antes de encerrar a conversa, porém, o interlocutor deu a senha do que realmente atormentava a comunidade:

- Temos um índice altíssimo de suicídio entre jovens e adolescentes...

Para o antropólogo, o tabu impediu a discussão do fenômeno.

- A sociedade precisou eleger um inimigo para se unir e combater. Discutir suicídio entre jovens e adolescentes implicaria debater relações familiares, o que é um tabu - constata Ribeiro.

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