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Ao decretar a prisão preventiva do casal Nardoni, suspeito de matar a menina Isabella, o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, apontou indícios de que se trata de "pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana".
Ao decretar a prisão preventiva do casal Nardoni, suspeito de matar a menina Isabella, o juiz Maurício Fossen, do 2º Tribunal do Júri, apontou indícios de que se trata de "pessoas desprovidas de sensibilidade moral e sem um mínimo de compaixão humana".
Alexandre Nardoni, 29 anos, e Anna Jatobá, 24 anos, pai e madrasta de Isabela, deixaram às 22h30min o prédio da família dos pais dela em Guarulhos (SP). Os dois foram algemados na garagem do edifício antes de entrar no carro da Polícia Militar.
O juiz Maurício Fossen havia aceito a denúncia contra os dois apresentada pelo Ministério Público na terça-feira. Nardoni e Anna Jatobá, que passam a ser considerados réus no processo penal, já têm interrogatório
marcado: será no dia 28.
Segundo policiais, o casal não poderia ser retirado à força do apartamento durante a noite, mas foi acertado que eles deixariam o apartamento com a polícia.
Por volta das 18h, dois policiais civis tinham chegado ao prédio e se dirigido ao apartamento da família. Logo após a divulgação da ordem de prisão, a frente do prédio foi tomada por uma multidão que, aos gritos, aguardava a possível saída de Nardoni e Anna Jatobá. Policiais tiveram de ser mobilizados para desimpedir a rua e garantir a passagem dos veículos.
O casal foi encaminhado ao 9º Distrito Policial, de acordo com o delegado titular, Calixto Calil Filho, para assinar um documento relativo à prisão. Após a assinatura, Alexandre e Anna Jatobá foram levados ao Instituto Médico Legal, onde se submeteram a exame de corpo de delito. Depois do exame, que serve para constatar que a integridade dos presos está preservada, seriam encaminhados a unidades policiais onde ficarão presos.
Defesa
deverá pedir hábeas para revogar a
decisão
De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, é possível que Alexandre, que tem diploma universitário, seja encaminhado ao 13º Distrito Policial, na Casa Verde, Zona Norte, onde poderá ficar detido até o julgamento. Anna Jatobá, que durante a prisão provisória ficou 10 dias no 89º Distrito Policial do Morumbi, na Zona Sul, será encaminhada para outro distrito policial.
Nardoni e Anna Jatobá negam o crime, ocorrido no dia 29 de março, e afirmam que alguém entrou no apartamento e atirou Isabella pela janela, no sexto andar do residencial London, na zona norte de São Paulo.
A decisão do juiz foi dada por volta das 18h. Uma hora antes, o advogado do casal, Marco Polo Levorin, havia dito que, se o pedido de prisão fosse deferido pelo juiz, seus clientes iriam se apresentar à polícia, mas que a defesa iria entrar com habeas corpus para suspender a decisão.
De acordo com o promotor Francisco Cembranelli, responsável
pela denúncia, o casal cometeu homicídio doloso
triplamente qualificado. A Promotoria afirma que Nardoni e Anna Jatobá empregaram meio cruel, impossibilitaram a defesa da vítima e ocultaram as agressões contra a menina praticando outro crime, o assassinato de Isabella. De acordo com a denúncia, a madrasta tentou asfixiar a enteada e o pai atirou a filha pela janela do quarto.
O juiz Maurício Fossen também acolheu os requisitos citados por Cembranelli para pedir a prisão preventiva do casal: garantia da ordem pública (deixar a população tranqüila e manter a credibilidade da Justiça), a acusação de que Nardoni e Anna Jatobá cometeram fraude processual (alterado a cena do crime) e em denúncias de comportamento agressivo do casal.
| A cronologia |
| 29 de março |
| Isabella Oliveira Nardoni, cinco anos, que passava o final de semana com o pai, Alexandre Nardoni, 29 anos, a madrasta, Anna Jatobá, 24 anos, e os irmãos, morre após cair do sexto andar do prédio em que a família mora, na zona norte de São Paulo |
| 30 de março |
| À polícia, o pai e a madrasta da menina afirmam que alguém invadiu o apartamento e jogou a criança da janela |
| 2 de abril |
| Após pedido da polícia, a Justiça decreta a prisão temporária por 30 dias do casal Alexandre Nardoni e Anna Jatobá |
| 3 de abril |
| O casal se entrega à polícia e divulga cartas em que se diz inocente |
| 7 de abril |
| Peritos do IML concluem que Isabella sofreu uma tentativa de asfixia e depois foi atirada pela janela do apartamento. Advogados de defesa entram com pedido de habeas corpus do casal |
| 9 de abril |
| Delegados afirmam ter descoberto 70% do que aconteceu na noite da morte de Isabella |
| 11 de abril |
| Desembargador concede habeas corpus ao casal por meio de liminar. Os dois deixam a prisão no mesmo dia |
| 18 de abril |
| A polícia indicia o casal durante depoimentos no 9º DP |
| 30 de abril |
| A Polícia Civil entrega à Justiça o inquérito do caso e um relatório final do caso, acusando o casal Nardoni pela morte de Isabella |
| Terça-feira |
| O promotor do caso denuncia o casal à Justiça e endossa o pedido de prisão preventiva contra o casal solicitado pela Polícia Civil |
| Ontem |
| Justiça aceita o pedido de prisão preventiva |
| O que pesa contra o casal |
| - Ligações feitas do telefone fixo do apartamento, após a queda da menina |
| - Sangue encontrado no local |
| - Depoimento de testemunhas que afirmam ter escutado discussões do casal |
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