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No mesmo dia em que a pesquisa CNT/Sensus indicou que mais da metade da população aprovaria uma medida que permitisse sua segunda reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que "ninguém consegue fazer tudo em oito, nove ou 10 anos."
Admitindo ter receio de que a Justiça Eleitoral considere sua participação em atos públicos inadequada para um presidente da República, Lula não entrou na discussão sobre um possível terceiro mandato. Durante cerimônia de lançamento de contratos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Guarulhos (SP), o presidente disse torcer para que o próximo governante olhe mais para os pobres do que ele afirma ter olhado ao longo do seu mandato.
- É preciso que a gente tenha uma quantidade de pessoas que vão assumir os compromissos e cada um faça mais do que o outro - disse o presidente.
Antes, em Osasco, Lula assinou ordens de serviço para o início das obras do PAC ao lado do governador de São Paulo, José
Serra (PSDB). Ao ter seu nome
anunciado, Serra recebeu vaias. Descontraindo o clima no palanque, o governador falou da vitória de seu time, o Palmeiras, na primeira partida da decisão do Campeonato Paulista de Futebol contra a Ponte Preta. O próprio presidente - que é corintiano - disse ter torcido pelo Palmeiras, pois seu filho trabalha no clube como preparador físico. Além disso, Lula chamou o governador de "meu caro companheiro governador Serra".
- O presidente sabe que eu e Emídio somos de partidos diferentes, mas ele, como eu, é palmeirense, e torcemos para que o Corinthians volte para a primeira divisão - declarou Serra, referindo-se ao prefeito de Osasco, Emídio de Souza (PT).
Aprovação do governo bate recorde, diz pesquisa
Pela manhã, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgou pesquisa do Instituto Sensus que indica aprovação de 50,4% dos entrevistados a uma mudança na Constituição para que Lula possa se candidatar a mais uma reeleição. Por
outro lado, 45,4% se dizem contrários a uma
proposta que permitisse o terceiro mandato. Foram ouvidos 2 mil eleitores (veja o quadro).
De acordo com o levantamento, a aprovação do governo Lula ultrapassou um novo recorde, alcançando 57,5% em abril. A aprovação do governo supera em cinco pontos o resultado de fevereiro, quando se registrou 52,7% de avaliação positiva, e foi mais alto do que o antigo recorde de aprovação: 56,6%, em janeiro de 2003, mês da posse de Lula.
A opinião positiva da população sobre o desempenho pessoal do presidente também subiu, de 66,8% em fevereiro para 69,3% em abril. A desaprovação caiu de 28,6% para 26,1%.
- A consolidação da aprovação tem como principal fator o desempenho da economia. Existe uma sensação de que o crescimento está ocorrendo por causa das obras do PAC - analisou o presidente da CNT, Clésio Andrade.
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