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28 de abril de 2008 | N° 15585AlertaVoltar para a edição de hoje

CPI discutirá quebra de sigilo telefônico de Ariosto e Ferst

Os deputados de oposição na CPI do Detran querem saber se alguns dos envolvidos na fraude da autarquia andam trocando telefonemas com integrantes do governo. Por isso, os parlamentares da comissão vão discutir na sessão de hoje a quebra do sigilo telefônico de personagens como o empresário Lair Ferst, o ex-presidente do Detran Flavio Vaz Netto, o secretário-geral de Governo, Delson Martini, e do ex-secretário de Planejamento e Gestão, Ariosto Culau. A convocação de Ariosto e Martini para depoimento também será discutida.

- O que deve ser esclarecido não é o chope, mas o conteúdo do encontro - disse ontem à noite o presidente da CPI, Fabiano Pereira (PT).

Para a oposição, Ferst e Vaz Netto estariam chantageando integrantes do governo. A tese, segundo o deputado Elvino Bohn Gass (PT), integrante da CPI, explicaria por que Vaz Netto insiste em marcar uma reunião com Martini, mesmo depois de a própria governadora Yeda Crusius ter se colocado à disposição para conversar com o ex-presidente do Detran.

- A situação é gravíssima. Ambos estão sendo chantageados - disse Bohn Gass, se referindo a Martini e Ariosto.

Para Fabiano, a situação de Ariosto ficou insustentável porque o happy hour da última quinta-feira ocorreu no mesmo dia em que o governo rompeu o contrato do Detran com a Fundação Educacional e Cultural para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae). Segundo a investigação da Polícia Federal, a substituição da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) pela Fundae foi uma forma de tirar as empresas ligadas à família de Ferst do suposto esquema. De acordo com o presidente da CPI, o rompimento com a Fundae beneficiaria Ferst e, portanto, o encontro levanta dúvidas se o empresário pressionou o governo para que a decisão fosse tomada. Além de esclarecer o happy hour, a oposição espera que Ariosto detalhe os motivos do afastamento da Fundae.

Único tucano entre os membros titulares da CPI do Detran, o deputado Adilson Troca defende o comparecimento de Ariosto:

- Ariosto é um técnico, com pouco envolvimento político. Vai ser fácil para ele mostrar o que aconteceu.

A sessão da CPI hoje
Horário: a partir das 14h
Local: plenarinho do Legislativo
Como assistir: pela TV Assembléia no canal 16 da NET
Os depoimentos
Ferdinando Fernandes - É filho de José Fernandes e trabalhava na empresa do pai, a Pensant Consultores, considerada central na fraude no Detran.
Fernando Fernandes - Filho de José Fernandes, era diretor da Pensant.
Denise Nachtigall Luz - Mulher de Ferdinando, é suspeita de receber recursos do Detran por meio da subcontratação pela Fatec.
Quem não vai depor
José Fernandes - O professor aposentado, considerado mentor do esquema no Detran, não prestará depoimento. Na sexta-feira, ele apresentou um laudo médico do seu psiquiatra.
Requerimentos importantes
A CPI votará novamente o pedido de convocação do secretário-geral de Governo, Delson Martini, para depor.
A comissão analisará o pedido de autorização para que a CPI seja prorrogada por mais dois meses. Pelo cronograma original, a data prevista para encerrar as atividades é 7 de junho.
Leia trechos da carta de demissão do ex-secretário
"Um dos principais projetos no qual me envolvi diz respeito à proposição de medidas para assegurar que o custo da carteira nacional de habilitação fosse reduzido e à mudança do paradigma de prestação de serviços de exames teóricos e práticos por parte do Detran.
(...)
Quero mais uma vez registrar que o meu papel de coordenação frente a este processo se pautou única e exclusivamente pelo interesse público, estando em todas as fases seguidos os princípios da legalidade, impessoalidade, publicidade, eficiência, moralidade e probidade.
(...)
Portanto, reafirmo não haver qualquer conflito entre a minha conduta profissional e eventual interesse privado, principalmente originário das minhas relações pessoais.
(...)
Entretanto, governadora, algumas feridas levam tempo para cicatrizar e o Estado tem pressa de sair do histórico imobilismo e confronto decorrente de discussões ideologicamente ultrapassadas e imprecisas, do privilégio do acessório em detrimento do essencial, da disputa partidária fragmentada e desengajada para um sistema político de efetiva coalizão de objetivos e propósitos, das versões para os fatos, do imaginário para o concreto.
(...)
Assim, por motivos eminentemente de foro íntimo lhe apresento em caráter irrevogável o meu pedido de demissão, após muito refletir sobre todos os elementos motivadores para minha permanência."

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