Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Não se esgotou com a confirmação da permanência de Ariosto Culau na Secretaria do Planejamento a crise provocada pelo encontro que ele teve com o empresário Lair Ferst num restaurante do Shopping Total, no início da noite de quinta-feira. A sessão da CPI do Detran, na segunda-feira, será a régua para medir o tamanho do abalo provocado nas hostes do governo.
O deputado Pedro Westphalen (PP), um dos primeiros aliados do governo a defender a saída de Ariosto quando soube do encontro, avisou:
- Esse encontro aproximou ainda mais o caso Detran do Palácio Piratini. O secretário tem de se demitir, sob pena de não termos como votar contra a convocação dele e do secretário-geral, Delson Martini.
Na sessão de segunda-feira, a oposição tentará aprovar a convocação dos dois secretários. A grande preocupação no Palácio Piratini e na cúpula do PSDB nacional é evitar a prorrogação dos trabalhos da CPI. O surgimento de fatos novos torna mais difícil para os aliados do governo sustentar o discurso de que a prorrogação é desnecessária. O deputado José Aníbal, líder do PSDB na Câmara, ficou indignado com o desfecho que poupou Ariosto.
Além de atrapalhar a campanha eleitoral, o episódio é ruim para o PSDB, que optou por centrar seu discurso nos ataques aos deslizes éticos do PT e não pode ter telhado de vidro. O fato de Lair Ferst ser um militante do PSDB e de Ariosto Culau ter ficha no partido atrapalha a estratégia dos tucanos em Brasília. Mesmo que Ariosto seja uma unanimidade em matéria de competência, seriedade e relacionamento interpessoal, Aníbal disse a um tucano gaúcho que "é melhor perder os anéis para preservar os dedos".

Um dos dias mais tensos dos 15 meses da governadora Yeda Crusius no Palácio Piratini se encerrou em uma festa na residência da advogada Helena Ibañez, ao lado do marido, Carlos Crusius.
Depois de confirmar a permanência do economista Ariosto Culau na Secretaria do Planejamento, Yeda foi para casa e reapareceu renovada na festa de aniversário da médica Themis Reverbel, 70 anos, organizada por Helena, um das suas melhores amigas.
Foi no apartamento de Helena que a governadora se refugiou do assédio da imprensa no período de transição.
Sorridentes, a governadora e o marido não demonstravam sinais de abatimento pelos transtornos das últimas 24 horas.
Desde que Ariosto telefonou para relatar que havia sido fotografado ao lado de Lair, o núcleo duro do governo trabalhou para atenuar os efeitos da crise provocada pela publicação da foto de um secretário com um dos indiciados por suspeita de envolvimento na fraude do Detran.

Acostumados a apenas prestar contas com simples notas fiscais emitidas por postos de gasolina, os deputados estaduais agora não têm escolha: estão tendo de se adaptar ao cartão corporativo da Assembléia para abastecer seus veículos.
- Até os frentistas tiram onda: "cartão corporativo, que beleza!", também quero ser deputado - brinca o presidente da Assembléia, Alceu Moreira.
Apesar da pressão de alguns deputados pelo retorno do sistema antigo, Moreira assegura que a Assembléia não irá voltar ao passado. A mudança foi instituída pelo ex-presidente Frederico Antunes, depois do escândalo dos selos.
O cartão permite não apenas o controle dos gastos com combustíveis, como o cruzamento dos dados das viagens com as diárias. Aceito em todos os postos que trabalham com o Banricompras, registra data, hora, local, valor e quilometragem do carro no momento do abastecimento. Cada deputado pode gastar até R$ 1,4 mil por mês com combustível.
Acostumado a cobranças sobre os gastos dos parlamentares, o presidente da Assembléia, Alceu Moreira, ficou surpreso com o mimo que ganhou da Assembléia de Roraima. Depois de participar de um encontro em Boa Vista, Alceu recebeu no hotel uma garrafa de uísque Chivas 12 anos.
Dias mais tarde, em Brasília, perguntou a um deputado se era normal esse tipo de gentileza e ouviu que o presidente da Assembléia de Roraima tem verba para custear esse tipo de gasto.

Sete anos, sete meses e 14 dias após tomar posse como procurador-adjunto do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino assume nesta segunda-feira, às 16h, o posto de procurador-geral.
Indicado como um dos candidatos a conselheiro do TCE, junto com o então procurador-geral Cezar Miola, Da Camino abriu mão de figurar na lista encaminhada à governadora. Fez isso numa espécie de homenagem a Miola e também porque prefere continuar no Ministério Público.
- Tenho vocação para promotor - justificou à época.
Disposto a aprofundar o caráter investigativo do MP de Contas, Da Camino quer sair mais a campo para investigar as relações do poder público com organizações não-governamentais.
- O papel permite tudo. No caso do Detran, sob o aspecto formal, parecia estar tudo certo. Na análise do conteúdo, percebeu-se que as prestadoras de serviço não tinham nem gente suficiente para prestar o serviço - diz o procurador.
Da Camino e seu antecessor, Cezar Miola, que assumiu a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, cultivam um histórico de "afinidades do destino". O pai de Miola e um dos avôs de Da Camino lutaram juntos pela Força Expedicionária Brasileira, na Itália. Em 1996, no concurso para Procurador Autárquico do INSS, Miola e Da Camino empataram na prova objetiva. Miola ganhou na dissertação. Em 1998, novamente empataram nas provas para adjunto de procurador do MP de Contas, além de terem sido vizinhos de quadra na Rua Riachuelo, no centro da Capital.
O encontro de Ariosto Culau com Lair Ferst ofuscou dois fatos positivos do governo: a licitação no Detran e a melhora das contas públicas.
Cresce no Judiciário gaúcho a convicção de que os advogados dos indiciados na Operação Rodin vão questionar a competência da Justiça Federal para tratar do Detran.