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24 de abril de 2008 | N° 15581AlertaVoltar para a edição de hoje

Loucura

Com força e raça, Inter faz 5 a 1 no Paraná e passa à proxima fase

A história do Inter quase centenário ganhou capítulo especial ontem. Com a grandeza exclusiva dos campeões do mundo venceu o Paraná por 5 a 1 e se classificou à próxima fase da Copa do Brasil. Mais que virar o jogo e o confronto, os colorados dobraram a teimosia do destino, que parecia conspirar contra. Mostraram força e se abasteceram de energia para encarar a final do Gauchão a partir de domingo, contra o Juventude.

O ambiente criado no Beira-Rio prenunciava uma noite épica. Os torcedores se concentraram fora do estádio antes do jogo para esperar o ônibus. Que foi recebido de maneira apoteótica, com cânticos e uma vibração de arrepiar. Abel Braga desceu dele e, ao falar, perdeu o fôlego.

- É fantástico... (pausa) É fantástico - conseguiu dizer.

Dentro do Beira-Rio, o ar parecia suspenso. Em pé, os torcedores cantaram, pularam enquanto o gramado ostentava apenas um gigante escudo do clube no grande círculo. Quando as rádios anunciaram a presença do time na boca do túnel, todo de branco como nas conquistas em Yokohama e Dubai, foi possível perceber o estremecimento dos torcedores antes de explodir em rugido uníssono.

A panela de pressão em vermelho, porém, parou de cozinhar com 22 segundos. Só uma fatalidade poderia calar o Beira-Rio. E ela aconteceu. Jonas saltou para disputar a bola no meio-campo, chocou-se com Índio e caiu de cabeça no gramado, com o pescoço torcido. Marcão desistiu do lance, os jogadores paralisaram, a torcida silenciou, e o Paraná seguiu adiante. Fábio Luiz entrou na área e chutou cruzado. Só não fez o gol porque Clemer seguiu atento como convém a um goleiro. O jogo parou, e a ambulância entrou em campo para cuidar de Jonas.

A gravidade do lance desligou o Inter. Assim, Ângelo avançou pela direita, e cruzou para Fábio Luiz fazer 1 a 0. Antes mesmo de a ambulância deixar a beira do campo com Jonas, Andrezinho recebeu na área, matou no peito e fez o gol com o qual sonhou e antecipou que marcaria. Às 22h3min, o Inter escrevia sua história. O gol aos cinco minutos deflagrou um novo rugido da torcida, que não cessou e deixou o Paraná atordoado. Ângelo, seu principal jogador, fez falta em Andrezinho e levou cartão vermelho aos 21. Sem perder tempo, Abel trocou o volante Ji-Paraná pelo atacante Adriano. O Inter insinuante, agressivo, ficou ainda mais agudo. Empurrado pelos gritos da torcida, encurralou os paranaenses. Aos 31, Bustos cruzou para Índio entrar como um foguete e desviar.

A força do Inter já havia dobrado o destino. Minutos depois, Sidnei e Joelson discutiram e foram expulsos. O Inter perdeu um zagueiro, o Paraná, o seu único atacante naquela altura. O 3 a 1 era questão de tempo. Ele chegou aos 41. Fernandão encostou, Andrezinho fez seu segundo gol e virou o personagem da noite histórica.

A eletricidade do time estava tão alta que até atrapalhou. Magrão acertou Daniel Marques e escapou da expulsão. A ansiedade fez o time perder a chance de acabar o primeiro tempo classificado e levou um torcedor para o hospital. Com uma parada cardíaca, saiu da arquibancada superior direto para o Pronto-Socorro. O atendimento rápido o salvou. Se ele pudesse voltar ao estádio seria brindado com o complemento da façanha colorada. Nilmar desencantou e, aos nove, quase fez de meia-bicicleta. Aos 14, ele encostou para Magrão fazer de virada. Era o 4 a 1 da classificação. O Paraná quase empatou aos 31, quando acertou a trave. O drama estava instalado no Beira-Rio. E história sem drama não é história. Ele só acabaria aos 47. Nilmar sofreu pênalti, Fernandão cobrou e deu ponto final a mais um capítulo do Inter, escrito por Andrezinho, Nilmar, Fernandão, Abel e 41.837 colorados incansáveis.

LEONARDO OLIVEIRA
Ficha técnica
Inter (5)
Clemer;
Bustos
Índio
(Titi, 25/2º)
Orozco
Marcão;
Jonas
(Sidnei, 2/1º)
Ji-Paraná
(Adriano, 24/1º)
Magrão
Andrezinho;
Fernandão
Nilmar
Técnico: Abel Braga.
Paraná (1)
Fabiano Heves;
Daniel Marques
João Paulo
Luís Henrique;
Angelo
Jumar
(Cristian, 26/2º)
Leo
Giuliano
(Clênio, 26/2º)
Everton;
Joelson
Fábio Luís
(Goiano, 25/1º)
Técnico: Bonamigo.
Gols: Fábio Luís (P), aos 3min, Andrezinho (I), aos 5min e aos 41min, e Índio aos 31min do primeiro tempo. Magrão (I), aos 18min e Fernandão aos 47min da segunda etapa. Cartões amarelos: Bustos, Marcão (I); Leo e Daniel Marques, Everton (P). Expulsão: Angelo e Joelson (P); Sidnei (I). Arbitragem: Wagner Tardelli (Fifa-SC), auxiliado por Claudemir Mafessoni (SC) e Dilbert Pedrosa (Fifa-SC). Local: Estádio Beira-Rio, em Porto Alegre. Público: 41.837 pessoas (38.263 pagantes). Renda: R$ 361.091.
Próximo jogo - Gauchão
domingo, 27/4/2008 - 16h
Juventude x Inter
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