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Ao alimentar os noticiários nas últimas três semanas, o caso Isabella Nardoni semeou medo em uma parcela da população que só deveria se preocupar com brincadeiras e estudos.
Psicólogos e psiquiatras perceberam que as crianças ficaram aflitas com a morte da garota, depois de uma queda do sexto andar de um edifício em São Paulo. O abalo no universo infantil se amplia com as suspeitas de que o pai da menina, Alexandre Nardoni, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá, seriam os assassinos.
Nesta página, Zero Hora dá algumas dicas sobre como os pais podem ajudar as crianças a lidar com a informação sobre a morte de Isabella e mostra como elas estão reagindo
( jaisson.valim@zerohora.com.br e larissa.roso@zerohora.com.br )
| Como agir com as crianças |
| Os conselhos de psicólogos e psiquiatras para lidar com o interesse dos filhos no caso Isabella Nardoni: |
| Por que as crianças têm medo |
| - O pavor surge porque as suspeitas ameaçam desconstruir uma certeza infantil: os pais são a garantia de proteção. A confiabilidade nos pais abastece a segurança interna dos pequenos. As crianças alimentam fantasias diante de uma repreensão ou qualquer outra animosidade com os pais. Elas sabem de sua fragilidade e impotência diante do adulto. |
| Atenção aos sinais |
| - Tenha a iniciativa de conversar com a criança sobre o tema não apenas depois que ela assistiu ao noticiário ou perguntou sobre o assunto. Toque no assunto quando notar um eventual aumento da ansiedade ou preocupação dela. Você percebe a mudança no comportamento quando o filho fizer declarações como "quem você prefere, eu ou meu irmão, mãe?" ou "se acontecer algo triste, tenho medo de ficar sozinho, pai". Pesadelos noturnos, a diminuição das brincadeiras e a falta de apetite também são outros sinais de alerta. |
| Demonstração de afeto |
| - Nas suas respostas e ações, diga que a família não apresenta problemas graves de desentendimento e agressividade, caso isso seja verdadeiro. Deixe claro que você e sua mulher (ou marido) estão ao lado de seu filho para protegê-lo. |
| A figura da madrasta |
| - A repercussão do caso reforça o mito da suposta maldade das madrastas, tão enfatizada em Branca de Neve e outros contos de fada que povoam o imaginário infantil. Mostre que o caso é uma exceção. |
| Sem falsidades |
| - Evite mentir na conversa, porque a descoberta da verdade ameaçaria comprometer a confiança da criança em você. |
| Conversa clara |
| - Quando for impossível escapar do bombardeio televisivo, não tente desconversar. Sente-se com seu filho e tenha uma conversa esclarecedora: faça com que ele apresente dúvidas e ofereça respostas claras. |
| Desconsidere detalhes |
| - Amenize os detalhes e poupe a criança de informações desnecessárias do caso, que só ampliarão o medo dela. |
| Insistência na raridade |
| - Diga que há pessoas que cometem assassinatos como esse, mas reforce que são exceções. Também insista que algo com um fim assim não acontece de uma hora para outra. No caso Isabella, a Polícia Civil dispõe de indícios de que os principais suspeitos - o pai, Alexandre, e a madrasta, Anna Carolina Jatobá - já tinham atitudes agressivas com a família meses antes da morte da garota. |
| Punição aos culpados |
| - Enfatize que a Justiça tem a tarefa de punir os responsáveis pela morte de Isabella. |
| Os casos complicados |
| - O abalo diante do episódio pode detonar efeitos preocupantes, caso se associe a outros problemas, como a ansiedade ou situação familiar conturbada. Pesadelos noturnos, perda de apetite, desinteresse pelas brincadeiras são três possibilidades. |
| Cuidado com a TV |
| - Evite que as crianças se exponham ao noticiário de casos violentos, como o de Isabella. Acompanhe-as, sempre que possível, quando elas se sentarem frente à TV para filtrar os programas. |
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