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10 de abril de 2008 | N° 15567AlertaVoltar para a edição de hoje

Plantio florestal ganha terreno

Aprovado depois de mais de seis horas de tensa disputa entre ambientalistas e órgãos públicos, o documento que reúne as novas regras para o plantio industrial de florestas significa um passo decisivo para destravar os projetos de instalação de fábricas de celulose na Metade Sul do Estado.

O zoneamento ambiental para a silvicultura, em negociação desde 2007 e responsável por uma das crises políticas do governo Yeda, era aguardado pelas empresas para definir a viabilidade econômica dos investimentos - só os três maiores estão avaliados em US$ 4,5 bilhões.

Na prática, a aprovação do documento permitirá a retomada dos processos de licenciamento para o plantio industrial de árvores, suspenso desde o final do ano passado. As empresas alegam que a consolidação da base florestal é fundamental para definir a localização das fábricas. Em 2007, por conta das idas e vindas na liberação de licenças, a área plantada foi de apenas 50 mil hectares. No ano anterior, foram plantados 90 mil hectares.

- A aprovação tem um grande significado porque gera segurança a todos. À sociedade e ao Estado, porque impõe limites à atividade de silvicultura. Aos empresários porque define regras claras. Agora, o processo de licenciamento seguirá seu curso normal - afirmou o secretário de Meio Ambiente, Carlos Otaviano Brenner de Moraes.

Pelo menos um grupo - a Aracruz - havia condicionado a construção da unidade em Guaíba, cujo investimento, incluindo a base florestal, chega a US$ 2,8 bilhões, à aprovação do zoneamento. A empresa já havia obtido a licença industrial mas não arriscou fazer o anúncio da instalação sem a garantia da base florestal.

Para este ano, o setor projeta o plantio de 70 mil hectares, mas não há garantia de que a meta será alcançada. Como a emissão de licenças ficou paralisada no segundo semestre de 2007, a produção de mudas foi prejudicada. Segundo o presidente da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), Roque Justen, as constantes suspensões podem comprometer o abastecimento das indústrias nos próximos anos.

Ambientalistas criticam decisão e analisam recurso

O texto aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) elimina restrições do documento original, rechaçado pelas empresas.

Para a presidente da Fepam, Ana Pellini, a proposta atual não representa risco ao ambiente:

- Ela não prevê limites padronizados, mas mantêm diretrizes para o plantio. Além disso, a idéia é continuar realizando estudos até estabelecer parâmetros específicos para cada região do Estado, aprimorando o Zoneamento Ambiental ao longo do tempo - afirma, acrescentando que uma equipe de pesquisadores canadenses chegará ao Estado em junho para analisar as regras aprovadas ontem.

A decisão do conselho foi criticada pelos ambientalistas. A assessora técnica da ONG ambientalista Núcleo Amigos da Terra, Maria da Conceição Carrion, afirma que as entidades deverão avaliar hoje a decisão judicial que garantiu a votação e a possibilidade de reverter o resultado recorrendo à Justiça:

- Com a decisão, o governo do Estado abre mão da sua função maior de preservar a vida, a biodiversidade e o patrimônio genético gaúcho.

Por onde andam
Veja o que fazem hoje duas das principais personagens do início da crise do zoneamento ambiental:
Vera Callegaro
Amiga da governadora Yeda Crusius e tucana, foi secretária do Meio Ambiente na época na polêmica sobre o zoneamento ambiental no ano passado. Sofreu fortes críticas pela demora na liberação de licenças ambientais pela Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). Em meio às ameaças das indústrias de celulose de suspender investimentos, deixou o cargo logo após a queda de Irineu Schneider, então presidente da Fepam. Hoje, Vera trabalha na CaixaRS, órgão ligado à Secretaria Estadual do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais, onde atua como superintendente de sustentabilidade corporativa.
Irineu Schneider
Deixou o cargo de presidente da Fepam em maio de 2007 por conta da pressão envolvendo as licenças para silvicultura. Foi ele quem assinou um aditamento ao Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) junto ao Ministério Público Estadual endurecendo a liberação das licenças. Alegou não ter feito nada sozinho e disse que o ato havia sido decidido numa reunião com a presença de dois secretários estaduais Vera Callegaro (Meio Ambiente) e Nelson Proença (então na pasta do Desenvolvimento e Assuntos Internacionais). O TAC não foi bem aceito pelas empresas florestadoras. Schneider atualmente é procurador-geral da prefeitura de Santa Cruz do Sul, administrada pelo tucano José Alberto Wenzel.

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