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30 de março de 2008 | N° 15556AlertaVoltar para a edição de hoje

Revolução sobre duas rodas

Menos carros nas ruas, menos congestionamentos, menos poluição no ar.

Com essa lógica, um movimento tem conquistado adeptos no mundo todo - agora, a tendência é deixar os veículos na garagem e adotar a bicicleta como meio de transporte. De Amsterdã a Curitiba, muitas cidades reconhecem a magrela como uma ótima opção para os problemas urbanos. A última foi Londres, que anunciou no mês passado um investimento milionário em novas ciclovias.

A capital britânica pretende aumentar o número de ciclistas em 400% até 2025. Serão 12 rotas ao custo de 400 milhões de libras (R$ 1,4 bilhão) até 2010, além da implantação de um sistema de locação de bicicletas semelhante ao lançado em Paris no ano passado. O plano é disponibilizar gratuitamente bicicletas em várias estações no centro da capital britânica, para trajetos curtos.

- Queremos transformar o transporte em Londres. É o maior investimento em ciclismo na história da cidade. Milhares de londrinos poderão pedalar com segurança em rotas que as levarão rapidamente para onde quiserem ir - declarou o prefeito de Londres, Ken Livingstone.

As rotas foram definidas com base em um estudo sobre as vias mais utilizadas pelos ciclistas, para proporcionar pistas amplas e livres, cruzamentos especiais e boa sinalização. Elas ligarão áreas residenciais ao centro da capital. O projeto inclui também uma rede especial de ciclovias estabelecida entre 15 regiões suburbanas da cidade. A rede fará ligação entre áreas residenciais, escolas, estações de trem, terminais de ônibus, parques e lojas.

O governo britânico também lançou uma iniciativa para tentar incentivar o uso de bicicletas em outras partes do país. Um concurso vai premiar as cidades que levarem mais ciclistas às ruas, com um investimento de 47 milhões de libras.

Prática secular, o ciclismo agora está associado a modernas cidades cosmopolitas. Em especial, é uma das maneiras de diminuir a concentração de gases causadores do aquecimento global no ar - 14% das emissões de dióxido de carbono (CO2) vêm do setor de transportes, e a bike é um veículo totalmente limpo.

Movimento criou um novo mercado

Os projetos britânicos são uma tentativa de melhorar a posição do país no ranking das nações com o maior índice de uso de bicicletas. Ainda falta muito, porém, para alcançar alguns vizinhos europeus, onde a prática é bastante comum entre os habitantes.

Organizações ambientalistas e de ciclistas também têm ajudado a difundir a idéia entre a população, que passou a cobrar os novos espaços para a circulação das magrelas. Além disso, surgiu um mercado em torno da nova tendência.

Existem, por exemplo, empresas que fornecem bicicletas mais baratas para quem for usá-las para ir ao trabalho e oferecem facilidades aos empregadores que incentivarem seus funcionários a entrar na onda. Em São Paulo, uma seguradora criou áreas de estacionamento de bikes, além de colocar bicicletas à disposição dos clientes para circular pelo centro. Quem não é cliente pode estacionar no local por R$ 2.

Com a difusão da idéia, surgiram também críticas variadas - desde a falta de segurança a inconvenientes climáticos. Uma das mais recorrentes é a dificuldade em trajetos longos - a bicicleta é ideal para caminhos mais curtos. O governo britânico, por exemplo, pensa em incentivar a substituição dos carros em distâncias de até 3,2 quilômetros, que representam quase um quarto das viagens no país.

Londres
Bikes pelo mundo
Holanda
Com área equivalente à do Estado de Pernambuco, o país tem 34 mil quilômetros de ciclovias. Quase 85% dos holandeses têm pelo menos uma bicicleta (e as usam diariamente). Há 16 milhões de bikes na Holanda - pouco mais de uma por habitante. É possível alugar bicicletas. Passear sobre duas horas, inclusive, é uma das atrações recomendadas para turistas. Em Amsterdã, a diária varia entre 6 e 10 euros a diária (de R$ 16 a R$ 27).
Copenhague
Tem tradição no ciclismo desde o início do século 20. Cerca de 36% da população vai ao trabalho pedalando. A capital da Dinamarca tem um plano plurianual para melhorar a infra-estrutura para os ciclistas. Até 2012, a previsão é de que 40% dos habitantes optem pela bicicleta no trajeto para o trabalho. Há também uma rede em expansão de bicicletas públicas. Basta depositar o equivalente a R$ 6 em um dos 120 bicicletários e utilizar a magrela. Ao devolvê-la, o ciclista recebe de volta o dinheiro.
Barcelona
A cidade espanhola adotou um sistema de aluguel de bicicletas em março de 2007 - o Bicing. A iniciativa previa, em um primeiro momento, 15 mil usuários inscritos, mas hoje são mais de 100 mil para as 3 mil bicicletas. Os interessados se cadastram pela internet e recebem um cartão magnético. Basta pegar a magrela, usar e devolver em outro ponto. Mas o empréstimo não pode passar de duas horas, porque o serviço foi criado como uma alternativa para pequenas distâncias. O preço médio de um cartão anual é de cerca de 20 euros.
Paris
Em julho, o aluguel de bikes chegou à capital francesa, com adesão surpreendente. Em um mês, o sistema de aluguel de bicicletas registrou mais de 1 milhão de inscrições para as 11 mil bicicletas disponíveis. Hoje, são 20 mil bikes. No Vélib, os usuários pagam ou a taxa anual (29 euros) ou o custo de um único uso (a primeira meia hora é grátis).
A cidade criou um sistema com 300 quilômetros de ciclovias para a implantação do Vélib.
Curitiba
A capital paranaense é a campeã em quilometragem exclusiva para bicicletas no Brasil - 122 quilômetros. A cidade planeja implantar um sistema de aluguel de bicicletas públicas semelhante ao de Paris e Barcelona. Há um projeto para a expansão das ciclovias em mais 100 quilômetros.
Porto Alegre
O Plano Cicloviário da Capital está em fase de finalização, mas ainda não há previsão para o início das obras. A princípio, estão previstos 18 quilômetros de ciclovias nas avenidas Sertório, Assis Brasil e Ipiranga, além da Vila Restinga. A escolha se baseou em uma pesquisa sobre as vias mais utilizadas pelos ciclistas. A idéia é continuar expandindo a rede para outros pontos da cidade.

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