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24 de março de 2008 | N° 15550AlertaVoltar para a edição de hoje

Você confia nele?

Até 2011, 1 bilhão de pessoas usarão o celular como ferramenta para aumentar a produtividade no trabalho. Mas isso também pode pôr em risco informações sigilosas da empresa

Reunido cada vez mais funções, os telefones celulares são instrumentos indispensáveis na vida do executivo. Com um smartphone na mão, ele pode checar e-mails, aprovar planilhas de custos e ficar por dentro dos últimos acontecimentos do setor em que trabalha, independentemente de onde estiver. Mas não seria arriscado demais trocar dados de uma empresa pelo celular?

Paulo Roberto Delpizzo, gerente de tecnologia da informação (TI) da Navita, empresa especializada em soluções corporativas, explica que, quando o smartphone de um funcionário é colocado em sincronia com a rede interna de uma companhia, o aparelho fica submetido à mesma política de segurança configurada para o uso dos micros da empresa.

- Se a rede da corporação for segura, o dispositivo móvel também será - garante Delpizzo.

Segundo dados do instituto de pesquisa IDC, até 2011 pelo menos 1 bilhão de trabalhadores usarão o telefone móvel como instrumento de produtividade. Alexandre Lucho Langer é um dos que já fazem uso intensivo da ferramenta. Sócio de uma imobiliária, ele tem sempre no bolso um smartphone, da fabricante Qtec, que o ajuda a se comunicar com os demais sócios e corretores da empresa.

- Todos os sócios têm um smartphone. Basta nos conectarmos a um servidor para interagirmos pelo Microsoft Exchange. Como vendemos serviço, só estando conectado 100% do tempo para conseguir oferecer um conceito que consideramos fundamental, a agilidade - conta o empresário, que recebe em torno de 200 e-mails por dia.

Precavido, Langer não dispensa o uso de um pacote antivírus, que protege a rede do escritório e os dispositivos móveis. Também não faz transações financeiras pelo celular.

Além de refletir a segurança da infra-estrutura da corporação, o celular corporativo tem outras características que contribuem para reduzir os riscos.

- A plataforma móvel tem estrutura de criptografia e certificação para o usuário se comunicar devidamente com seu servidor - explica a técnica responsável por contas corporativas da Nokia, Silvia Paladino.

A sincronia entre a rede e o dispositivo móvel é feita a partir de plataformas fornecidas pelos fabricantes de celular. Os três mais conhecidos são o Blackberry Enterprise Server, o BES (exclusivo para aparelhos Blackberry), o Intellisync, desenvolvido pela Nokia, e o Windows Mobile, da Microsoft. As plataformas são softwares instalados na própria rede interna da empresa. Por meio delas, é possível realizar o gerenciamento de aplicativos e soluções fornecidas pela área de TI aos funcionários.

Mesmo com a disseminação de malwares para dispositivos móveis (nos últimos três anos, o número de vírus aumentou 1.200%), o gerente de Mobilidade da Microsoft, Celso Winik, acredita que a ameaça ainda não preocupa o mundo corporativo.

- Nunca houve disseminação generalizada de um vírus para celular - conta.

Nem por isso deve-se abrir mão de comportamentos e mecanismos de segurança, começando pela proteção física do aparelho. Se ele for perdido ou roubado, há recursos para formatar ou recuperar remotamente os dados do dispositivo.

Malwares destinados a aparelhos móveis roubam conteúdo, comem a bateria e deletam dados dos smartphones, explica Silvia, da Nokia. Por isso, é importante que a política de segurança contemple um recurso fundamental: o backup.

- As informações ficam armazenadas somente no celular e no servidor. Nesse caso, a operadora funciona apenas como um túnel por onde os dados trafegam 100% criptografados. Temos de trazer a paranóia que existe com relação aos PCs para o celular. Por isso, é importante não deixar o Bluetooth ligado, não aceitar mensagens e conteúdos de números desconhecidos e ter, sempre, um antivírus instalado - explica a executiva.

Para aumentar o grau de segurança de uma rede corporativa, as plataformas oferecidas pela Microsoft, Nokia e Blackberry possibilitam habilitar ou desabilitar, a partir de um servidor, certas funções dos aparelhos - como câmera digital, Bluetooth ou conexão Wi-Fi. Se uma empresa quiser sigilo em uma reunião, por exemplo, pode desabilitar, de forma remota, a câmera do celular dos funcionários e impedir que eles gravem ou tirem fotos naquela determinada hora.

A preocupação com a segurança no tráfego de informações empresariais por meio de smartphones são recentes. Mas essa aparente "irresponsabilidade" se justifica: até o final do ano passado, apenas três em cada 10 pessoas no mundo que tinham o aparelho o usavam para acessar e-mails, segundo Maribel Lopez, diretora do instituto de pesquisa americano Forrester. No Brasil, a prática também é pequena, agravada também pelo alto custo dos aparelhos e, principalmente, dos serviços.

Há outro motivo relevante para justificar o pouco uso: falta de confiança dos usuários, principalmente os corporativos, na transmissão de informações. Além de acessar e-mails, os executivos usam os aparelhos para navegar pela internet, ler e arquivar anexos de arquivos e organizar suas informações pessoais - usando, nesses casos, sincronização de dados em alta velocidade com PCs e laptops por meio de Bluetooth ou USB. Por isso, os fabricantes dos equipamentos trabalham para torná-los mais seguros. Mas cobram ajuda dos provedores e das operadoras de telefonia celular.

Um dos pontos positivos no uso de smartphones nos negócios é o ganho de produtividade.

- Hoje, é possível garantir ao profissional que não tem mesa até 45 minutos diários a mais de produtividade apenas com o uso de smartphones - diz Maribel, do Forrest.

Correio Braziliense
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