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23 de março de 2008 | N° 15549AlertaVoltar para a edição de hoje

Três mulheres e nenhum segredo

Que ninguém se engane com a presença de três mulheres na disputa pela prefeitura de Porto Alegre. Jovens e bonitas, Luciana Genro (PSOL), Manuela DÁvila (PC do B) e Maria do Rosário (PT) desprezam teorias sobre o sexo frágil. Nas eleições mais recentes, o trio vem colecionando vitórias nas urnas, colorindo um território dominado pelo terno e pela gravata.

Manuela é a campeã de votos da bancada gaúcha na Câmara dos Deputados. Luciana foi a deputada mais votada na Capital. Rosário acaba de vencer a mais acirrada prévia do PT gaúcho. De formação esquerdista, embora ocupando palanques distintos, elas se consideram preparadas para o maior desafio político de suas vidas. Os homens que se preparem.

- Nenhuma de nós é patricinha. Vamos ter embates duros e com muitas verdades nas nossas falas. Os candidatos terão de se acostumar a ouvir vozes femininas de igual para igual. Somos menos treinadas para essa vida política do cinismo - fuzila Rosário.

Essa aparente harmonia de saias, entretanto, não significa um acordo tácito entre as três candidatas. Apesar de já terem militado nas mesmas campanhas - como a eleição de Olívio Dutra (PT) ao governo do Estado, em 1998, e na vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quatro anos depois - , defendem hoje projetos próprios de poder. E não se intimidam em salientar diferenças que as separam.

- Rosário representa 16 anos de uma administração que se estagnou por um marasmo administrativo e por falta de iniciativas inovadoras. Não representa andar para a frente. Já Luciana tem uma tradição de criar conflitos, e não soluções. Desconheço o projeto político do PSOL para Porto Alegre - diz Manuela.

- Se ela não conhece o projeto do PSOL é porque não lê jornal - rebate Luciana.

Mais polida e vislumbrando apoios num eventual segundo turno, Rosário tenta imprimir sutileza às críticas às colegas.

- Tenho um olhar mais tranqüilo e um projeto mais amplo para a cidade. Como acredito ter mais experiência no sentido coletivo, acho que elas ainda não conseguiram estabelecer um projeto de desenvolvimento - alfineta.

FÁBIO SCHAFFNER E KLÉCIO SANTOS | Brasília
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