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Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
O pretexto para visitar João Bez Batti são as duas exposições que ele inaugura esta semana em Porto Alegre.
A primeira tem abertura prevista para hoje, às 19h, no Margs, na Praça da Alfândega, apenas para convidados. A segunda ocorre amanhã, no mesmo horário, na Galeria do Instituto Moreira Salles, junto aos cinemas do Unibanco Arteplex, no shopping Bourbon Country.
Esse é o pretexto. O real interesse é a chance de se aproximar - ao menos por um dia, do final da manhã ao início da noite - daquilo que alimenta tanto o imaginário quanto a experiência concreta da criação do artista, sendo que um e outra continuamente se confundem em sua lida cotidiana. No distrito de São Pedro, interior de Bento Gonçalves, no chamado Caminho das Pedras, na Serra Gaúcha, o escultor vive para a pedra e pela pedra. Ainda antes: na pedra.
Ao lado da mulher e da filha, ambas advogadas, e do filho Diego, artista também, mas voltado à cerâmica e ao grafite, João Bez Batti mora
em uma antiga casa de pedra
construída por imigrantes italianos. Calcula que ela tenha pelo menos 120 anos.
Nas oficinas que organizou no térreo e por todo o terreno, fez espalhar grandes e pequenos blocos de basalto, recolhidos na própria região. Muita gente na Serra já sabe de seu interesse pela rocha e costuma avisá-lo a cada vez que uma estrada é aberta ou se dá um desmoronamento. O próprio Bez Batti ainda se surpreende com o que a terra revela. Há dois meses, descobriu um basalto verde musgo, que nunca vira antes. Semanas depois, um basalto cor de cacau.
O artista começou trabalhando com madeira, passou pelo bronze, pelo arenito e, desde 1989, dedica-se quase exclusivamente ao basalto, uma das mais resistentes rochas vulcânicas. Segundo ele, a mais bonita.
Compara:
- Os egípcios (que usavam o basalto) foram mais inteligentes que os gregos (que preferiam o mármore). O mármore é frágil. Nem considero que ele seja uma pedra.
O basalto
requer violência.
- O escultor é um destruidor -
sublinha. - Tem que destruir uma pedra para construir uma escultura.
Conta que as formas de suas peças são sugeridas pelas pedras. Não que ele siga os veios e as linhas da rocha, como fazem muitos escultores. Ao contrário, para não desperdiçar tempo e matéria, molda em gesso ou barro as figuras que desenha. Só depois, medindo milimetricamente, transpõe essa imagem para o basalto.
- Não sou Michelangelo, que riscava o bloco e saía dando paulada - resigna-se, lembrando a ambição do mestre renascentista de "libertar" os personagens que julgava presos.
Cada vez mais, Bez Batti evita cinzelar rostos e prefere as abstrações: formas orgânicas, brutas, com pontas polidas, brilhantes. A inspiração (ele faz questão de usar a palavra, tão em desuso entre artistas e teóricos) vem justamente das pedras:
- Fui contaminado pelo seixo.
Conta que, quando menino, morando a menos de 50 metros do Rio Taquari, na Volta do Freitas,
perto de Venâncio Aires, encontrava algum alento nas pedras que
recolhia e carregava para o quarto.
- Eu vivia em um ambiente de uma pobreza cultural terrível: não tinha igreja, não tinha sociedade, não tinha livros, não tinha luz elétrica.
O pai, italiano do Norte, era homem severo, exigente, duro com os filhos. A mãe se parecia com o rio.
- Hoje, cada vez que eu volto ao rio, é como se eu voltasse ao berço em que ela me embalou.
| Serviço |
| O QUE: Esculturas, exposição de 103 trabalhos de Bez Batti |
| QUANDO: abertura hoje, às 19h, para convidados. Visitação a partir de amanhã e até 27 de abril, de terças a domingos, das 10h às 19h, com entrada franca |
| ONDE: no Margs (Praça da Alfândega, s/n), fone (51) 3227-2311 |
| O QUE: Novas Cores e Basaltos, exposição de 48 trabalhos de Bez Batti |
| QUANDO: abertura amanhã, às 19h, para convidados. Visitação a partir de quarta-feira, das 14h às 22h, com entrada franca |
| ONDE: na Galeria do IMS (Av. Túlio de Rose, 80), fone (51) 3341-9685 |
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