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16 de fevereiro de 2008 | N° 15512AlertaVoltar para a edição de hoje

Tensão antecede a separação de Kosovo

A independência pode ser proclamada amanhã, à revelia da Sérvia

O clima de tensão era palpável ontem nos Bálcãs, às vésperas da independência de Kosovo, que deve ser proclamada unilateralmente ainda neste fim de semana.

O governo da Sérvia, contudo, garantiu que "nunca cederá" na disputa pela província de 2 milhões de habitantes, a maioria de etnia albanesa.

A Assembléia kosovar aprovou ontem uma moção que permite adotar nas próximas 24 horas as leis necessárias para decretar a soberania tutelada, segundo previsto em plano da Organização das Nações Unidas (ONU). A independência deve ocorrer amanhã, mas o primeiro-ministro Hashem Thaçi evitou informar a data.

Apresentado no ano passado pelo mediador Martti Ahtisaari, após dois anos de negociações frustradas entre Pristina e Belgrado, o plano nunca chegou a ser adotado oficialmente em virtude da rejeição da Sérvia e de sua aliada, a Rússia. Para a declaração da independência do Kosovo ser oficializada, porém, os parlamentares têm de aprová-la em outra sessão.

Embora faça parte da Sérvia, a província é administrada pela ONU desde o final da guerra com a ex-Iugoslávia, em 1999. Para o premier sérvio, Vojislav Kostunica, a proclamação unilateral é uma violação flagrante da Carta da ONU e do direito internacional. Mas os governos dos Estados Unidos e de integrantes de peso da União Européia, como Grã-Bretanha, Alemanha e França, apóiam a independência. Outros integrantes do bloco, como Espanha, Grécia, Eslováquia e Romênia, são mais prudentes e dizem que as negociações com a Sérvia devem ser retomadas.

O governo sérvio admitiu ontem, pela primeira vez, que adotará represálias contra quem reconhecer Kosovo como uma nova nação. Segundo o presidente Boris Tadic, o país congelará, mas não romperá, as relações diplomáticas com esses países. Ele também garantiu ontem que a Sérvia não lançará um ataque militar a Kosovo.

A Europa já preparou uma missão com 2 mil policiais e juízes para despachar à província após a independência. O objetivo será reorganizar o sistema judiciário de Kosovo, além de garantir que se torne um Estado "multiétnico e democrático". Kosovo será mais um território da ex-Iugoslávia a se tornar independente (veja o pdf abaixo).

Pristina
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