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Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Uma brincadeira antes comum entre as crianças hoje é esporte reconhecido pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). O futebol de botão, que costumava reunir a gurizada ao redor de uma estrutura de madeira, se transformou no futebol de mesa - este, de amador, não tem nada. Tanto que há cerca de dois anos um grupo de amigos resolveu criar a Confraria União pelo Futebol de Mesa.
Por volta de 19h de terça-feira, confrades de diferentes partes da cidade se reúnem em uma sala de dois andares no Grêmio Náutico União (GNU), na sede do Moinhos de Vento, na Quintino Bocaiúva. O encontro se repete nas noites de quinta-feira e nas tardes de sábado.
No local, há oito mesas: três maiores, seguindo tamanhos da regra brasileira, e cinco de acordo com a regra gaúcha (veja as diferenças na página ao lado). Com os confrades concentrados, a frase que mais se escuta, em alto e bom som, é "a gol" - senha para o adversário posicionar o goleiro.
O futebol de mesa é um jogo
individual - uma pessoa controla 10
botões e um goleiro - , mas consegue socializar os participantes. Embora a confraria do União esteja aberta às mulheres, o grupo é formado por cerca de 50 homens.
O caçula do time, com 11 anos, é Kevin Kopper, estudante da 5ª série e morador do bairro Auxiliadora. Ele tirou o terceiro lugar na 1ª Copa Rio Grande do Sul, em 2007, no União. Já o participante mais velho é o engenheiro Sergio Souza Silveira, 64 anos. Ele foi jogador de basquete do GNU e, por cinco anos, jogou futebol de mesa no Inter antes de entrar para a confraria, há um ano.
- Não precisa de juiz. A gente sai daqui e vai tomar cerveja na esquina às vezes - conta Valter Azevedo, gerente do GNU.
Ele acrescenta que a maioria dos participantes tem a caixa com o jogo de botão no carro. O grupo se encontra mesmo quando não é dia de confraria. Sempre em tom de amizade, os torneios têm muita competição.
O grupo faz periodicamente campeonatos internos e já começa a
participar de competições fora do clube. O primeiro
campeão em torneios externos ao União é o dentista Maximiliano Gomes, 30 anos, que ganhou a 6ª Copa Amizade de Charqueadas.
Com idades e atividades variadas, desde um estudante do Ensino Fundamental até um juiz, os homens que se reúnem periodicamente naquela sala olham do mesmo jeito atento os botões dispostos na mesa. Pelas expressões nos rostos, são apenas meninos empolgados, debruçados sobre um tabuleiro e tentando fazer um gol.
"Comecei quando criança, acho que como a grande maioria. Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul e talvez em todo o Brasil, é comum o hábito de a criança começar a jogar com os amigos e vizinhos no famoso Estrelão, aquele com botão baratinho, comprado em tabacaria. Dos 10 aos 15 anos, mais ou menos, um amigo me apresentou o tipo de botão da regra gaúcha. Joguei no Internacional, que tinha um departamento similar. Quando fiz faculdade não tive mais tempo.
Eu estava nadando no clube e ouvi um pessoal falando sobre futebol de
mesa. Liguei para o departamento e
pensei quem sabe eu dou um pulo para ver como é?. Me fez lembrar toda a infância. O futebol de mesa tem um aspecto: é considerado esporte, por mais que não pareça, e tem uma série de peculiaridades. É lúdico por natureza, acima de qualquer coisa, a gente se diverte jogando. Exige, em um nível mais aprimorado, a questão da concentração, pois trabalha com a motricidade fina. Noto isso pelo fato de eu ser dentista. Também exige inteligência para as estratégias e resistência das pernas. Esse grupo é um estímulo para as novas gerações, que se perdem em brinquedos eletrônicos. Até porque um dos mais importantes benefícios de se jogar botão é a socialização."
Maximiliano Gomes, 30 anos
"Há muito tempo não jogava botão e o meu filho, Felipe, freqüentava uma escolinha perto de casa. Conheci alguns pais, e começamos a conversar sobre comprar uma mesa de botão para brincar com os meninos. Até hoje é brincadeira, claro. Compramos uma mesa infantil em outubro de
2005 e fizemos torneio com os
vizinhos. No Bazar Mimo, onde tem tudo de botão, conhecemos as regras e optamos pela gaúcha. Compramos uma mesa, mas onde colocá-la? Todo mundo morava em apartamento, então usávamos um salão de festas. Como vários do grupo eram sócios do União, liguei para o clube, e sugeriram que criássemos uma confraria. Em março de 2006, começamos a jogar no Alto Petrópolis. Lançamos a confraria e convidamos os sócios a se cadastrar. No início de 2006, o União viu que o grupo havia crescido. Somos 50 confrades - de 20 a 30 se reúnem para competir. Esperamos ficar por aqui e estamos nos filiando à Federação Gaúcha de Futebol de Mesa. Além do botão, a gente confraterniza, faz churrascos."
Celso Renato Marques Gonzatto, 45 anos
"A regra gaúcha e a brasileira são quase iguais, a diferença é que a gaúcha exige mais técnica que a brasileira. Prefiro a brasileira, me sinto mais à vontade, é mais fácil de chutar. Toda vez que vai chutar a gol, tem de avisar. Se não
avisar, não vale. Passei a jogar a
convite do meu padrasto, quando os encontros ocorriam na sede do Alto Petrópolis. Comecei a participar de campeonatos e sempre ficava em último, último, último. Com o tempo, comecei a vencer, ganhei confiança e subi. Já eliminei o atual campeão da Copa do Brasil do União."
Kevin Kopper, 11 anos
"Com o Kevin, apesar da pouca idade, não dá para dar mole. A gente dá muito conselho, especialmente quando ele está ganhando. Kevin, não te irrita. Se tomar um gol, segue adiante. A gente tenta dar um toque porque sabe que ele pode se dar muito bem nesse esporte. Ele precisa começar a controlar as emoções."
Valter Azevedo, 49 anos
( thais.sarda@zerohora.com.br )
| Saiba mais |
| Quanto custa um time de botão? |
| Um time de botão para futebol de mesa, incluindo o goleiro, que é um pouco mais caro, custa entre R$ 90 e R$ 150. Alguns botões, contudo, podem valer mais se mostrarem um desempenho acima da média. Gonzatto conta que já viu um botão apelidado de Ronaldinho Gaúcho ser negociado por R$ 500. |
| Brasileira x Gaúcha |
| As principais diferenças entre as regras brasileira e gaúcha é que, na última, o botão, a mesa e a bola são menores, o goleiro fica deitado e há impedimento. Além disso, a brasileira conta com dois tempos de 25 minutos, enquanto a gaúcha é mais rápida, com dois tempos de 15 minutos. Os participantes da confraria fazem torneios entre si - em 2007, foram realizadas copas nas regras brasileira e gaúcha. |
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