Confira os profissionais que assinam os projetos desta edição do caderno Casa&Cia
Material curinga está presente em áreas da Mostra Casa&Cia Praia
Eles pisam no acelerador e suas famílias choram. Eles competem nas rodovias e abreviam suas vidas. Eles se julgam ases no volante e ultrapassam os limites de segurança de suas máquinas. Eles bebem antes de dirigir e comprometem os próprios reflexos. Eles se imaginam imortais - e não são. Por isso, os homens jovens aparecem como principais vítimas e também como principais causadores dos acidentes de trânsito que interrompem 35 mil vidas por ano no Brasil. Não se trata de uma generalização irresponsável, mas sim de uma tendência apontada pelas estatísticas: de acordo com o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), 46% dos condutores envolvidos em acidentes de trânsito com vítima no Brasil, cuja idade do motorista foi informada, têm até 29 anos, e 31,8% dos acidentes com vítima no Rio Grande do Sul, considerando o percentual em que a idade é informada, envolvem condutores com até 29 anos. Outros levantamentos indicam que os jovens estão envolvidos em 70% dos acidentes graves.
Por que
isso acontece?
Em primeiro lugar, porque os jovens são apaixonados por carros e motos, sentem-se atraídos pela velocidade e, em geral, têm comportamento ousado. A imprudência e a negligência são características desta fase da vida. É próprio dos jovens arriscar-se, quebrar barreiras, ultrapassar limites, exibir-se para os amigos, sempre com a crença de que nada de ruim acontecerá com eles. Negligência e imprudência - ao lado da imperícia - estão entre as principais causas de acidentes fatais nas estradas. Na maioria das vezes, não lhes falta perícia para dirigir, pois são ágeis, possuem boa coordenação motora e têm domínio sobre o veículo. Até por causa disso, costumam desafiar o perigo, fazem ultrapassagens perigosas, ziguezagueiam no trânsito, andam próximo demais do carro da frente e confiam demais no acelerador e nos freios. O resultado desta ousadia é trágico.
Segundo o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea), o país gasta cerca de R$ 22 bilhões por ano com vítimas de acidentes de
trânsito, o
equivalente a 1,2% do PIB e mais do que o orçamento do Ministério da Saúde. Mas o custo econômico é insignificante se for comparado com a dor das famílias enlutadas e com o contingente de mutilados que sobrevive ao morticínio diário das estradas brasileiras. E o que mais dói é saber que tudo isso é evitável, com simples mudanças de comportamento.
Por tais razões, a RBS decidiu direcionar o foco de sua campanha institucional e editorial deste verão para os jovens condutores de veículos. Nas próximas semanas, sob o slogan "Violência no trânsito, isso tem que ter fim", todos os veículos do Grupo passarão a divulgar anúncios e reportagens mostrando que é possível, sim, alterar comportamentos temerários que estão na origem das tragédias de trânsito. O recado é para os jovens, mas vale também para motoristas e pedestres de variadas idades, uma vez que todos podem contribuir para a preservação de vidas.
Consultados por pesquisadores, motoristas jovens admitem que cometem
imprudências, mas não se
sentem importantes para a redução do número de acidentes. A consulta feita este ano pelo Ibope com mil jovens de 66 cidades brasileiras mostra ainda que, segundo 86% dos entrevistados, o comportamento de risco no trânsito é intensificado quando o jovem está em grupo de amigos.
Esta é mais uma razão pela qual a campanha da RBS tem o jovem e sua turma como focos prioritários.
| Como eles agem |
| Pesquisa do Journal of the American Medical Association revela que o jovem corre duas vezes mais risco de provocar acidente grave do que motoristas mais experientes. Se ele estiver acompanhado de outros da mesma faixa etária, o perigo aumenta. Um motorista jovem acompanhado de três amigos jovens tem três vezes mais probabilidade de se envolver em acidente grave do que um jovem dirigindo sozinho. O motivo: ele fica tentado a impressionar os colegas com velocidade e manobras pouco seguras. |
| Como agir com eles |
| Especialistas estimam que, de cada 10 jovens que completam 18 anos, quatro já sabem guiar. Como os pais podem evitar que adolescentes, mesmo os habilitados, corram riscos no volante? O primeiro passo é a conscientização. O segundo é o exercício da autoridade: corte do acesso ao veículo ao primeiro sinal de irresponsabilidade na condução. Mas é importante, também, oferecer alternativas, como dar dinheiro para o táxi e buscá-los nas festas. |
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