
A Petrobras e a Petróleos de Venezuela S/A (PDVSA) decidiram hoje prorrogar por 90 dias o Contrato de Associação assinado pelos dois países para a construção da uma refinaria binacional Abreu e Lima, em Pernambuco, devido à falta de um acordo definitivo sobre a obra.
O contrato, que expirava hoje, foi prorrogado porque a Petrobras e a PDVSA não chegaram a um acordo nas conversas que mantiveram em Salvador, no marco do encontro trimestral dos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Hugo Chávez, que disseram estar frustrados com o assunto.
As dificuldades para alcançar um acordo definitivo foram expostas em reunião a portas fechadas entre as delegações dos dois países. As duas partes não conseguiram chegar a um consenso sobre três pontos referentes à refinaria que a PDVSA e a Petrobras se comprometeram a construir.
Uma das divergências diz respeito ao preço que a Venezuela receberá pelo petróleo que fornecerá à refinaria, a outra se refere aos altos
custos de investimento. A terceira
divergência reside na forma de comercialização dos produtos que sairão da refinaria, segundo o presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. O terceiro ponto está relacionado basicamente com a oposição da Petrobras a que PDVSA distribua no Brasil os produtos da refinaria. Apesar da prorrogação do Contrato de Associação, Chávez e Lula expressaram a frustração com o fato de o acordo não ser uma solução definitiva, e sim um paliativo.
Segundo Lula, que comemorou a assinatura de vários acordos comerciais, "só não foi possível concluir acordo entre Petrobras e PDVSA porque são duas moças muito bonitas, muito fortes que disputam milimetricamente cada problema". O presidente disse que no máximo em 90 dias, os dois países devem retomar as negociações para um acordo não apenas para construção da refinaria, mas para a atuação da Petrobras na Faixa de Urinoco, no país vizinho.
Chávez também mostrou desapontamento:
— Confesso minha frustração, mas a culpa é
dos dois países, que não foram
capazes de chegar a um acordo — disse o presidente da Venezuela.
Ao analisar as dificuldades no campo petrolífero entre dois países que se consideram aliados, Chávez lamentou que, no caso das jazidas de petróleo em Orinoco, estejam operando empresas das principais nações do mundo, menos a Petrobras.
O Contrato de Associação vencia originalmente em 26 de março, mas, 13 dias antes, os dois países o prorrogaram por outros 60 dias, que expiram hoje, aos quais seguirá a regra provisória de três meses.
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