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 | 07/06/2008 | 04h55min

Crise no Piratini: procurador-geral de Justiça diz que fatos são graves

Mauro Renner afirmou ser necessária investigação sobre a gravação da conversa entre secretário e vice-governador

Chefe do Ministério Público Estadual, o procurador Mauro Renner optou pela cautela ao comentar a gravação entre o vice-governador Paulo Feijó e o chefe da Casa Civil, Cézar Busatto. Ele afirmou que os fatos relatados são graves e que as declarações de Busatto servirão de subsídio para investigações já existentes no Ministério Público.

De acordo com o procurador-geral de Justiça, a gravação feita por Feijó é considerada legal uma vez que foi feita por um dos protagonistas do diálogo.

A seguir, a síntese da entrevista concedida por telefone a Zero Hora:

Zero Hora — Na forma como foi obtida a gravação, o senhor identificou alguma ilegalidade?

Mauro Renner — Não há ilegalidade tendo em vista que a gravação foi feita por um dos protagonistas. Há um entendimento no Supremo Tribunal Federal que sendo realizado dessa forma, não há ilicitude nesse comportamento adotado. A questão ética, moral, é outra situação. Mas ilicitude não há.

ZH — As gravações seriam provas válidas?

Renner — É válido como prova dentro de um contexto, como um início de investigação. Isso é possível.

ZH — Com relação ao conteúdo, o senhor identificou alguma ilegalidade?

Renner — Quanto ao conteúdo, os fatos são graves e merecem investigação e apuração com toda profundidade. Serão objeto já dos expedientes que existem e permitirão buscar novos elementos.

ZH — O que o Ministério Público Estadual pretende fazer?

Renner — Nós recebemos também o CD. Houve a determinação de fazer a degravação e, como já tem vários fatos sob investigação do MP, eles vão se inserir nesses diversos expedientes e vão servir como elemento. Vão se acrescer às provas existentes, que se relacionam com este contexto já apresentado.

ZH — Diante dos fatos, que medidas o governo deve tomar para evitar uma eventual responsabilização?

Renner — No sentido evidente de colaborar. Todo gestor, todo administrador deve agir nesse sentido. Buscar a colaboração na apuração de todas as situações apontadas como irregulares e ilegais.

ZH — O secretário Cézar Busatto pode ser responsabilizado?

Renner — Nessa situação específica eu prefiro não tomar posição. Isso vai ser objeto de avaliação pelo MP e não posso me antecipar. Vai haver critério de um procurador específico e eu não poderia me antecipar em juízo de valor.

ZH — Quais são as implicações possíveis para os partidos PP e PMDB, a partir da afirmação de que essas siglas se financiam de forma irregular respectivamente no Detran e no Banrisul?

Renner — Sempre dentro dessa investigação vai viabilizar que se chegue a todos os responsáveis.

ZH — O senhor acredita que há relações entre o que é dito na gravação e os fatos evidenciados pela Operação Rodin?

Renner — É muito delicado responder isso, mas pelos indicativos, se tem uma interface. Uma interface e ela vai ser objeto de investigação. É difícil para mim antecipar essas situações. Mas o indicativo é que há uma interface de comportamentos e de ações. Elas tem que ser avaliadas oportunizando o devido processo. E tem que ser analisado com toda a serenidade.

ZH — Há a possibilidade, sendo que o chefe da Casa Civil é o interlocutor político da governadora Yeda Crusius, de ela ser responsabilizada por algo?

Renner — Não tenho condições de dizer. É tudo muito prematuro. Não podemos avançar em conclusões diante de uma situação inicial.

ZERO HORA

Comentários

Umberto Alves Nascimento -

Denuncie este comentário08/06/2008 14:01

Povo gaucho, aqui em São Paulo está acontecendo a mesma coisa com o governador Serra, e nada sai na imprensa, os casos do metrô e da Altlon francesa com as turbinas.


Florduardo Oliveira Thomaz

Denuncie este comentário08/06/2008 11:11

Já esta mais do que na hora de fazer uma limpeza ética na Administração Pública do RS. Um Estado rico, que não paga precatórios e nem RPV, atrasa salários do Funcionalismo Público, mas que tem dinheiro de sobra para dividir em seus conchavos políticos. Entendo agora por que no Governo Brito não tinha dinheiro para pagar a Folha em dia. O Brito é dono da Fábrica de Calçados que ele praticamente "expulsou" do RS. Está em Sobral-CE. E a Ieda e seu sócio Buzzato, investirão nosso dinheiro onde?

Renner disse que gravações valeriam como prova dentro de um contexto - Júlio Cordeiro

Renner disse que gravações valeriam como prova dentro de um contexto
Foto:Júlio Cordeiro

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