
Foi anunciada nesta terça-feira a morte de Claude Lévi-Strauss, ocorrida no sábado, 31 de outubro, em Paris. Ele foi antropólogo, professor e filósofo. Lévi-Strauss é considerado o fundador da antropologia estruturalista, área de estudos que consolidou em meados da década de 1950.
A partir de formulações do linguista suíço Ferdinand de Saussure, Lévi-Strauss propôs que se examinassem os sistemas culturais dos povos sem escrita como se fossem os termos de uma língua, que se investigassem os lugares que tornam possíveis certas manifestações humanas, que se atribuísse importância ao que se revela e ao que se oculta nos relatos das pessoas.
Aproximando psicanálise, ciências sociais e filosofia, em contínuos diálogos e refutações com os legados de Hegel, Marx e Freud, delineou uma forma de pensamento que avançaria para a boca de cena do meio intelectual parisiense. As teses estruturalistas seriam contestadas desde o início (entre os slogans dos estudantes de
maio de 1968, figurava a frase
“As estruturas não descem às ruas”), mas, ao mesmo tempo, se alargariam para um vasto campo de reflexão, da crítica literária até a matemática ou as ciências biológicas.
Veja a linha cronológica com fatos marcantes da trajetória de Claude Lévi-Strauss:
1908:
Nasce em Bruxelas, na Bélgica, Claude Lévi-Strauss, filho de pais franceses.
1935 a 1939:
Lévi-Strauss leciona sociologia na recém-criada Universidade de São Paulo. Esta fase no Brasil será definitiva para seus estudos. É quando, em contato com índios brasileiros, ele irá se encantar pela antropologia e dedicar toda sua vida a estes estudos.
1939 a 1942:
Lévi-Strauss retorna à França e obtém reconhecimento acadêmico por seus estudos feitos no Brasil
1942 a
1950:
Exilado nos Estados Unidos a partir da Segunda Guerra Mundial, foi professor nesse país até 1950. Durante este período, Lévi-Strauss fez
estudos que reforçaram suas convicções estruturalistas.
1949:
Lévi-Strauss publica “As estruturas elementares de parentesco”, obra em que analisa os aborígenes australianos. A publicação consagrou-se como um dos mais importantes estudos de família já publicados. O livro é considerado o marco fundador da chamada Antropologia Estrutural. Lévi-Strauss discute, ali, para além das questões morais, a proibição do incesto, tabu presente em todas as sociedades.
1950 a 1974:
Novamente em Paris, o intelectual é nomeado diretor de estudos na École Pratique des Hautes Études, cargo que ocupou até 1974. Além disso, durante parte deste período, ele foi diretor associado do Museu do Homem.
1955:
Lévi-Strauss publica Tristes Trópicos, livro autobiográfico acerca de seu exílio no Brasil na década de
1930 e que fala de seus estudos com os indígenas. A partir do lançamento desta obra, considerada por muitos como sua
obra-prima, ele se torna um dos mais conhecidos intelectuais franceses. No todo, volta um olhar sombrio à uniformização das culturas.
1959:
Lévi-Strauss assume o departamento de Antropologia Social no College de France, onde ficou até se aposentar, em 1982.
1963:
Publicado o primeiro volume do livro Antropologia Estrutural, coleção de ensaios em que traz manifestos programáticos do estruturalismo. A segunda parte da obra foi publicada em 1973.
2005:
Lévi-Strauss recebeu o 17º Prêmio Internacional Catalunha, na Espanha. Declarou na ocasião:
- Meu único desejo é um pouco mais de respeito para o mundo, que começou sem o ser humano e vai terminar sem ele - isso é algo que sempre deveríamos ter presente.
2009:
Lévi-Strauss morre em Paris. As causas da morte ainda não foram divulgadas.
Sua passagem nesse Planeta é profícua e maravilhosa! Como poucos soube compreender o verdadeiro caminho da Huma Idade. Obrigado por nos visitar e deixar seu Legado. Carlinhos Mato Grosso
fico muito triste em saber que a humanidade perdeu parte de seu intelectualismo vivo ,tudo que Lévi ensinou sempre sera relevante em todo o mundo e em todos os tempos ,ternas saudades de nosso maior empiricista dialetico da humanidade moderna

Lévi-Strauss influenciou de maneira decisiva a filosofia, a sociologia, a história e a teoria da literatura
Foto:Eric Brochu, Divulgação
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