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 | 03/10/2008 | 05h32min

Estudo aponta 21 pontos de risco no trânsito da Capital

Falta de sinalização pode ter facilitado acidentes

Maicon Bock, Especial

Ao atravessar a rua correndo para chegar mais rápido à escolinha de futebol, o garoto Patrick dos Santos Angrezani, oito anos, elevou a estatística de atropelamentos na Capital. A forte pancada, que levou o menino à UTI do Hospital Cristo Redentor, aconteceu longe de uma faixa de segurança, situação comum nos pontos mais perigosos para os pedestres da cidade.

Com base em atropelamentos registrados pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) entre 1998 e 2006 — com lesões ou mortes —, um estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) relacionou os 21 endereços que lideram as estatísticas de risco. A Rua São Nicolau, no entorno do Esporte Clube São José, onde o garoto se feriu no dia 17, não está na relação das mais perigosas, mas não sai da cabeça da dona de casa Vera Regina dos Santos, 39 anos:

— Ele não teve fraturas, mas teve um edema cerebral que o deixa meio esquecido das coisas e levou sete pontos na cabeça. Foi horrível. Por sorte, havia uma ambulância passando pelo local e o socorreram.


Em gráfico, mapa com os pontos mais
perigosos para pedestres na Capital

Depois de alguns dias em casa, Patrick teve de retornar ao hospital na quarta-feira. A alta deve ocorrer hoje, mas ele ainda terá pela frente 20 sessões de fisioterapia.

No levantamento da UFRGS, o trecho da Avenida Sertório em frente ao Hipermercado Big é o campeão de atropelamentos na cidade, com 21 casos em nove anos, uma média de 2,33 ao ano — segundo padrões internacionais, uma via tem problemas de segurança quando a média anual é igual ou superior a 1 em uma série histórica (período mínimo de seis anos).

Falta de sinalização pode ter facilitado acidentes

Ao analisar apenas os atropelamentos de meio de quadra – não foram considerados os ocorridos em esquinas pela dificuldade de identificação do ponto exato do acidente –, as causas se mostraram variadas.

Segundo a engenheira civil Mara Chagas Diógenes, autora do estudo, o fluxo intenso reduz a velocidade dos veículos, mas dificulta a visualização dos pedestres. Por outro lado, nos trechos que apresentam menor circulação, os motoristas tendem a pisar mais no acelerador. A largura da via, o tempo de abertura do semáforo e a localização das paradas do transporte coletivo também influenciam nas ocorrências.

— Muita gente atravessa fora da faixa, mas 90% desses 21 locais apresentam sinalização inadequada, com pinturas apagadas ou mal localizadas — afirma Mara.


"Ainda falta pensar no pedestre"


Mesmo que os pedestres queiram atravessar na faixa, muitos locais não apresentam sinalização adequada. Isso pode ter contribuído para que a Sertório ocupasse o primeiro lugar quando o assunto é risco de atropelamento, de acordo com a autora do estudo, Mara Chagas Diógenes.

Em muitos locais apontados no estudo, as faixas de segurança, quando existem, estão distantes das entradas principais e das paradas de ônibus.

— O pedestre tende a fazer o trajeto mais curto. Por isso, a distância de uma faixa influencia o comportamento. Ainda falta, aos planejadores, pensar no pedestre. O veículo sempre foi priorizado. Isso começou a mudar — observa a engenheira civil.

Na avaliação do diretor-presidente da EPTC, Luiz Afonso Senna o desrespeito às leis de trânsito é a principal causa dos atropelamentos. Ele analisa que o problema tem duas vertentes: os motoristas que não respeitam as faixas, e circulam em alta velocidade, e os pedestres, que muitas vezes atravessam fora dos locais indicados.

A falta de conhecimento também influencia. Estudos internacionais demonstram que alguns condutores e pedestres infringem as leis de trânsito por desconhecimento. Outra constatação é que as pessoas imaginam que são imunes a acidentes, algo como pensar que só acontecem com outros.

— Nem todos sabem que o pedestre tem preferência por atravessar nas faixas onde não há sinaleira. Quando existe, é a sinaleira que indica a preferência — explica o engenheiro civil e consultor de trânsito Mauri Panitz.

Mais mortes
No fim da noite de quarta-feira, duas pessoas morreram atropeladas em Porto Alegre:
> Na Avenida Manoel Elias, uma van atingiu Ana Paula Regina de Souza, 28 anos, enquanto ela cruzava a via. Revoltados, moradores apedrejaram o veículo.
> Menos de uma hora depois, Giovani Schiller Balau, 37 anos, morreu atropelado na Avenida Juca Batista. O motorista do veículo fugiu sem prestar socorro.

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Comentários

Elaine Silveira

Denuncie este comentário03/10/2008 13:40

Em 2001, escrevi uma série de emails à EPTC solicitando uma faixa de segurança no local onde hoje constataram ser de maior ocorrência de atropelamentos na cidade (Av. Sertório). Na época, recebi o retorno de que a faixa de segurança era inviável e que o pedestre que saísse do ponto de ônibus deveria caminhar até a frente do Big para cruzar a avenida. A EPTC demorou 8 anos para fazer este estudo e descobrir que o pedestre prefere caminhos mais curtos e que a Sertório é perigosa? Obrigada.


Roberto

Denuncie este comentário03/10/2008 13:13

Parabéns ao Fernando e à 'Mãe' que deixou seu comentário... Há desrespeito por parte de todos. Pedestres, ciclistas, motociclistas, motoristas... inclusive os motoristas profissionais. Para o motorista que erra, a legislação é severa. Mas e para o pedestre? Alguém já ouviu falar de multa para pedestres??? Está prevista na legislação. Entretanto, a multa não resolve, não há uma POLÍTICA de educação no trânsito eficaz, aliado à fiscalização e punição adequada.

Estudo aponta trecho da Av. Sertório como endereço com maior índice de atropelamentos - Tadeu Vilani

Estudo aponta trecho da Av. Sertório como endereço com maior índice de atropelamentos
Foto:Tadeu Vilani

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