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 | 10/07/2008 | 20h01min

Mãe negocia bebê para comprar crack na Capital

Viciada deixou a criança com moradora da zona norte como garantia por empréstimo de R$ 5

Leandro Rodrigues | leandro.rodrigues@zerohora.com.br

Um bebê de um mês servia para financiar a dependência da mãe pelo crack na Vila Areia, na zona norte de Porto Alegre. Na fissura pela droga, ela deixou a criança para uma moradora da região como garantia para um empréstimo de R$ 5 no fim de semana. A menina ganhou nesta quinta-feira um abrigo temporário depois de ser resgatada por uma mulher que visitava parentes na região.

Segundo o relato de moradores da Vila Areia aos conselheiros tutelares, sem ter como comprar a pedra, a mãe deixava a filha com qualquer pessoa que pudesse emprestar algum dinheiro. Para ter de volta a menina nos braços, tinha de devolver o que pediu.


Confira gráfico sobre os efeitos do crack no corpo:



Uma senhora de 59 anos, que pediu para não ser identificada, interrompeu no domingo o ciclo em que a criança era usada como mercadoria. Ao visitar a casa de parentes na vila, deparou com um pedido dessa mãe que a desconcertou.

— Ela disse que estava devendo R$ 5 para uma mulher, que a filha estava empenhada com essa pessoa. Ou a resgatava dando dinheiro, ou dando cinco preservativos sabor chocolate. Fiquei com pena, acabei dando os R$ 5 — conta.

Em seguida, a mãe voltou com o bebê nos braços e fez um novo pedido: precisava que ficassem um pouco mais com a menina enquanto arranjava comida e dinheiro. Também falou que tinha de conseguir "uma coisinha", provavelmente o crack, da qual não podia ficar sem. Acabou voltado apenas na segunda-feira para dizer que não tinha mais como ficar com a filha.

— Veio falando que não tinha achado nada para comer, que eu podia pegar a menina para mim. Disse que ia ficar na rua porque a irmã não a queria mais. Fiquei com pena, eu sou mãe, sou avó, sei como é importante criar um bebê. Por isso levei para minha casa, para proteger.

Foi assim que o bebê acabou nos braços de outra família até esta quinta, quando a Microrregião 1 do Conselho Tutelar assumiu o caso.

— É um caso triste que, infelizmente, ocorre com alguma freqüência na região. Recolhemos na vizinhança informações de que essa mãe é consumidora de crack. Ela fica usando a criança como garantia para conseguir qualquer troco para comprar a droga — conta o conselheiro Marcelo Bernardi.

Ele elogiou a atitude da moradora da Lomba do Pinheiro, que chamou os órgãos responsáveis. Uma organização não-governamental ficou com a criança provisoriamente. Segundo Bernardi, a família do bebê será procurada novamente nesta sexta-feira. Caso não haja sucesso, deverá ser encaminhada para adoção.

Comentários

Mírian Bustamante da Rosa -

Denuncie este comentário11/07/2008 21:03

Como estudante de Direito, creio que o mais correto que deveria ser feito seria a destituição do poder familiar "guarda" dessa mãe e seu imediato encaminhamento à adoção.


deisi

Denuncie este comentário11/07/2008 17:18

Por questão de bom senso creio q. a criança não deve voltar p/ a família, e sim ser criada por pessoas q. dêem amor, carinho, alimentação, q. mantenha a integridade física e moral da criança. Senão qq dia ela poderá ser a próxima vítima fatal desta PORCARIA q. está mudando a vida de vários jovens em nosso País.

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