
O combate à doença que está tirando o sono dos moradores do Rio de Janeiro (RJ) ganhará 20 aliados gaúchos a partir do próximo domingo. Nesta sexta-feira, na Capital, os médicos do Estado que darão suas contribuições para conter o avanço no número de vítimas de dengue na capital carioca se reuniram com o secretário Estadual de Saúde, Osmar Terra, para alinhavar os últimos detalhes antes do embarque.
Em uma sala do prédio da SES, os profissionais acompanharam com atenção as recomendações do titular da pasta e do coordenador da missão gaúcha, José Roberto Saraiva. Entre outros conselhos, ouviram que os tubos de repelente tem de ser itens prioritário nas bagagens e que o uso de bermudas e saias deve ser evitados.
De acordo com Nilson Maestri, 47 anos, o medo de um possível contágio fica em segundo plano quando há a possibilidade de salvar vidas.
— Quem trabalha na nossa profissão não pode ter esse tipo de receio. Estou muito motivado para essa missão
e espero que possamos dar uma
contribuição real no combate à epidemia — destaca ele.
Os médicos escolhidos para a missão nunca trabalharam de forma específica com vítimas de dengue. Para amenizar a falta de experiência, eles serão submetidos a um treinamento na segunda-feira, quando já estarão em solo fluminense.
O primeiro grupo de gaúchos permanecerá no Rio por 15 dias. Porém, a ajuda do Estado deve se estender até a metade do mês de maio, sempre com, no mínimo, 20 profissionais.
Já estão sendo avaliados os perfis de outros médicos que possivelmente substituirão a primeira leva de gaúchos. A escolha dos médicos é feitas pelos próprios hospitais ou postos de saúde que se prontificam a ceder profissionais.
Os nomes e os hospitais ou postos de origem de cada médico só serão divulgados no domingo. Segundo a assessoria de imprensa da SES, as identidades permaneceram preservados pois ainda não houve a confirmação das passagens aéreas dos representantes gaúchos.
Das mãos do secretário Terra, os médicos
receberam nesta sexta-feira uma cartilha com informações gerais sobre a doença que servirá de norte no momento em que as dúvidas surgirem.
— Eles não terão grandes dificuldades nos tratamentos, pois a nossa principal missão é ajudar no combate a desidratação. E isso eles sabem fazer muito bem — explicou Terra.
Experiência
O contato direto dos médicos com o tratamento da doença está sendo encarado como o principal retorno ao Estado da ajuda oferecida ao Rio. A partir dessa força-tarefa, o Rio Grande do Sul passará a contar com o seu primeiro grupo de profissionais aptos a tratar pacientes com diagnóstico de dengue. A intenção é fazer com eles retransmitam no Estado os conhecimentos absorvidos na capital carioca.
Como as principais vítimas da doença são crianças, boa parte da força-tarefa é formada por pediatras. Na comitiva também há profissionais especializados em medicina da família.
Os locais de trabalho dos gaúchos serão as tendas, localizadas no
bairro da Penha, montadas na última semana pelo governo do Rio para atender pessoas com sintomas da dengue.
Lá, eles terão a missão de oferecer os primeiros cuidados aos pacientes, principal ação para evitar as mortes resultantes da picada do mosquito Aedes aegypti.
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Cronograma dos médicos gaúchos
- Embarcam no domingo às 20h35min
- Na segunda-feira de manhã, receberão um treinamento sobre o tratamento da doença
- No mesmo dia, já se deslocam para as tendas de reidratação, onde darão o atendimento inicial a pessoas com sintoma da doença
- Farão plantões de 12 horas e folgarão durante as 24
horas seguintes. Caso haja necessidade, poderão ter as folgas encurtadas para 12 horas.
- Devem
retornar ao Estado no dia 21.

Nilson Maestri, 47 anos, diz que o medo de um possível contágio fica em segundo plano quando há a possibilidade de salvar vidas
Foto:Jefferson Botega
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