
A perda de quase toda a obra do artista plástico brasileiro de maior projeção internacional pode abrir novo debate sobre como o país administra suas coleções e acervos culturais. Um incêndio, na noite de sexta-feira, na casa em que morou Hélio Oiticica (1937 – 1980), no Rio de janeiro, destruiu mais de 2 mil itens. Isso correspondia a pelo menos 90% do legado.
José do Nascimento Júnior, presidente do Instituto Brasileiro de Museus, órgão ligado ao Ministério da Cultura, declarou que vai pedir um laudo para, a partir dele, fazer um diagnóstico. O presidente do Centro Cultural São Paulo, Martin Grossmann, foi mais direto, classificando o episódio como “desastroso”:
– É mais um fato que mostra como é frágil a relação entre o público e o privado. Por que as famílias têm tanto poder sobre o legado de um artista já morto?
As obras destruídas não tinham seguro, e o arquiteto César Oiticica, irmão do artista e guardião do acervo, estima a perda em
US$ 200 milhões:
– É o maior prejuízo
sofrido pela cultura brasileira em sua história. Queria ter morrido junto com as obras.
César mora na casa do Jardim Botânico em que Hélio residiu na última década de vida e onde eram mantidas as peças. Provocado por razões ainda desconhecidas, o fogo, que teria começado por volta das 22h de sexta-feira, destruiu totalmente a chamada reserva técnica, que contava com sensores de umidade e temperatura, alarme anti-incêndio e outros dispositivos de segurança. Os bombeiros conseguiram controlar as chamas três horas depois, antes que elas se expandissem para o segundo andar da residência.
Algumas das obras mais importante de Oiticica, como Tropicália e Cosmococas, não se perderam porque estão nos acervos da Tate Modern, em Londres, e do Instituto Inhotim, em Minas Gerais.
Em nota divulgada à imprensa, a secretária municipal de Turismo do Rio, Jandira Feghali, pediu a apuração das causas do incêncio e afirmou que tentava levar o acervo do artista novamente
para o Centro Hélio Oiticica, mas
“(...) apesar de nossos esforços, não conseguimos trazê-lo de volta, em regime de comodato”.
Veja as obras perdidas de Hélio Oiticica em incêndio:

A maior parte dos parangolés, peças para vestir e sambar criadas por Hélio Oiticica nos anos 1960 e 1970 foi consumida pelo incêndio que atingiu a casa em que morou o artista, no Rio de Janeiro
Foto:Reprodução
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