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 | 06/09/2009 | 12h10min

O degrau que falta para Guiñazu alcançar o topo

Diogo Olivier, colunista online | diogo.olivier@zerohora.com.br



Descobri esta semana que o jogador que mais vende camisetas no Inter é Guiñazu. No Grêmio é Maxi López, também argentino. Mas o campeão de vendas azul é centroavante, homem de frente, atacante nato. É quem faz o gol.

Então, antes do espírito de luta, no Olímpico há este elemento: a bola na rede. Claro que Maxi também tem espírito de grupo, mas se perdesse gols como Alex Mineiro perdia não venderia nem chaveiro. Guiñazu, não.

É um volante que raramente marca gols. Este último, na goleada sobre o Goiás por 4 a 0, foi só o quarto dele em 118 jogos. Mesmo assim, é idolo.

Fiquei pensando. O que falta para Guiñazu entrar de vez na galeria dos grandes volantes da história do Inter, um clube com vários craques nesta posição ao longo de sua trajetória centenária? Falta isso mesmo: gol.

Não precisa ser um goleador, claro que não. Ninguém há de cobrar isso de um volante. Um gol importante ou decisivo já seria o suficiente. Batista, por exemplo, hoje comentarista da TVCOM. Eleito melhor volante na Copa do Mundo de 1978, não fazia muitos gols. Mas chegava na frente de vez em quando. "Ia lá e arriscava um chutezinho", me contou o Batista  entre goles de café no bar da Zero Hora, dia desses.

Mesmo sem ser o batedor de faltas do Inter nos anos 70, Batista treinava cobranças e chutes. Quando teve a chance de enfiar o pé na bola na semifinal do Brasileirão de 1976, virou vinheta.

O Inter perdia por 1 a 0 para o Atlético-MG no Beira-Rio. O jogo entrava na fase do desespero, para além da metade do final do segundo tempo, aos 28 minutos. Mas Batista, um volante, acertou um torpedo de fora da área no ângulo do goleiro — argentino, como Guiñazu — Ortiz. O resto todo mundo sabe. Nos acréscimos, outro volante brilhou. Falcão tabelou com Escurinho de cabeça e colocou o Inter na final diante do Corinthians.

Dois volantes, dois gols que resultaram em título brasileiro. Na final, o Inter vergou o Corinthians por 2 a 0, aí com gols de atacantes, Dario e Valdomiro. Se agregar o gol, este elemento singelo, ao seu repertório de marcação forte, bom passe, movimentação constante, espírito guerreiro, recuperação recorde em lesões, Guiñazu sobe o último degrau na escada dos volantes colorados.

É um degrau maior do que os outros. Uma pequena escalada. Gols decisivos são para poucos. De hoje, contra o Avaí, na Ressacada, até o fim do Brasileirão, Guiñazu deveria considerar a hipótese de arriscar mais o chute. Já que chegou perto da área e colocou a bola de canhota no cantinho do goleiro Iarley, do Goiás, nada o impede de tentar a sorte mais vezes.

A partir do retorno de Sandro da Seleção Brasileira, o argentino com cara de Genghis Khan terá ainda mais liberdade para avançar. Sandro, apesar da qualidade técnica, é disciplinado e sabe guardar função como poucos.

Se marcar um gol decisivo ou mesmo muito importante, destes de ser lembrado na hora de comemorar o aniversário de um título, um gol como os de Batista e Falcão em 1976, Guiñazu vence a última etapa.

Aí, além de vender camisetas como nenhum outro, El Cordobês Guiñazu assinará o nome na galeria dos grandes volantes do Inter em todos os tempos. Ao lado de Falcão, Batista, Carpegiani ou Salvador. Não é pouca coisa.



Ah, em tempo:


Guiñazu é destaque também do quarto e mais recente CD do Ataque Colorado, lançado em parceria com a gravadora ACIT. Chama-se 100 Anos de Glórias e só tem canções, é claro, dedicadas ao Inter. O novo trabalho dos músicos Peppe Joe, Kako Kanidia e Guilherme Barros, colorados que também formam a banda Maria do Relento, será destaque na festa do centenário do próximo dia 17 de dezembro, no Beira-Rio. 

O álbum conta com novas faixas que homenageiam, além de Guiñazu, também Índio, Taison e D'Alessandro. O clássico Papai é o Maior ganhou novo arranjo, assim como Camisa Vermelha, versão do sucesso Pelados em Santos, dos Mamonas Assassinas. Armandinho e ainda Rafael Malenotti, da Acústicos e Valvulados, têm participações especiais. Vale o torcedor do Inter conferir.



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Comentários

Rafael

Denuncie este comentário09/09/2009 12:13

É um fenômeno, compensa sua falta de gols com sua qualidade, dedicação e raça, além é claro do seu carisma incomparável! Já é ídolo eterno, jogador inesquecível que será lenda do clube!!!


PAULO MULLER

Denuncie este comentário06/09/2009 23:06

PRESADO CONTERRÂNEO, DISCORDO DE TÍ, ACHO QUE GUIÑAZU, COM A SUA DEDICAÇÃO E ENTREGA TOTAL AO TIME, JÁ CONQUISTOU , E COM FOLGA , UMA POSIÇÃO NO HALL DOS GRANDES CRAQUES QUE JOGARAM NO GLORIOSO COLORADO PAMPEANO.

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