
Começou mal o que deveria ser uma reunião decisiva para a liberação do comércio internacional. Ao comparar a estratégia dos países ricos à do nazista Joseph Goebbels, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, ofendeu a representante dos Estados Unidos, Susan Schwab, filha de sobreviventes do Holocausto. O incidente diplomático azedou ainda mais as já difíceis tratativas da Rodada de Doha.
Ao chegar a Genebra, Suíça, onde se reúnem hoje representantes de 30 países para tentar sair de um impasse de cinco anos, Amorim respondeu ao comissário de Comércio da União Européia, Peter Mandelson, que acusou o Brasil de "estar sempre por trás" das dificuldades nas negociações da Organização Mundial do Comércio (OMC). Foi quando o embaixador brasileiro lembrou Goebbels para contra-atacar a estratégia dos países ricos que dizem ceder às exigências dos emergentes, mas agem de forma diferente.
Mal a frase de Amorim havia sido divulgada, o porta-voz de Susan Schwab,
Sean Spicer, respondeu
que a representante de Comércio da Casa Branca a considerara um "insulto baixo e pessoal". E, numa referência aos riscos do incidente, acrescentou esperar que "os comentários não afetem a rodada". Quando soube da origem familiar da negociadora e da dura reação, o Itamaraty apressou-se a pedir desculpas, distribuindo nota no início da madrugada de ontem em Genebra.
— O ministro lamenta se Schwab ou qualquer um ficou afetado por seus comentários sobre um fato histórico. Ele certamente não tinha a intenção de ferir o sentimento de ninguém e respeita profundamente Schwab — afirmou Ricardo Neiva Tavares, porta-voz do Itamaraty.
Mesmo depois das desculpas brasileiras, o porta-voz americano não deu o incidente por superado:
— Ele (Amorim) é o responsável pela diplomacia do Brasil.
Ontem, o embaixador brasileiro insinuou que os EUA estão usando suas declarações para tentar enfraquecer a posição do Brasil na Rodada de Doha. Líder da
criação do G-20, grupo de países em desenvolvimento
formado para ganhar poder de negociação, o Itamaraty teme que o uso de seu deslize tenha a função de afetar a credibilidade numa semana crucial para OMC. Amorim confirmou que não teve a intenção de ofender e avisou que vai se reunir hoje com Schwab para tentar vencer o mal-estar. E insistiu:
— A repetição de distorções leva a pensar que são verdadeiras.
Quando criticou o Brasil, Mandelson disse que os grandes emergentes devem assumir responsabilidades, não apenas pressionar os ricos por concessões. Com seu presidente Nicolas Sarkozy no comando da UE, a França já avisou que não aceita cortar subsídios, sob pena de perder 100 mil empregos.
No sábado, Amorim alertara que, em caso de fracasso, o processo pode ser adiado em três ou quatro anos. Até lá, opinou, seriam os países emergentes quem ganhariam terreno.
Em uma rodada de negociação como esta, muitos detalhes devem ser precisos e é claro que nestas circunstâncias alguns impasses repercutem contra o Brasil, justamente porque nosso país esta na liderança do G-20 e está impondo a discussão de alguns temas, como por exemplo, o etanol e isso, vai de encontro a muitos interesses internacionais. Não devemos desistir mas, certamente haverão resistências contra os nossos interesses.
Quando alguém como a Sra. Susan Schwab quer comlicar uma negociação, até a cor da gravata serve de motivo. A frase do Embaixador Amorim serve com uma luva para a situação, mas isso não significa que ele ou qualquer pessoa que pronuncie esta frase esteja compactuando com todas as idéias do nazista citado. A Sr.a Susan Schwab não estava disposta a negociar e usou este pretexto.
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