
Assim como já haviam feito os líderes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, o governante iraniano Mahmoud Ahmadinejad convidou, nesta segunda-feira, o presidente Luis Inácio Lula da Silva a ajudar na busca pela paz no Oriente Médio. Ahmadinejad foi recebido por Lula na sua primeira visita oficial ao Brasil, e defendeu o polêmico programa nuclear iraniano, que segundo ele tem como objetivo a geração de energia.
Desde antes da chegada de Ahmadinejad, dezenas de manifestantes a favor e contra o regime iraniano se concentraram em frente ao Palacio do Itamaraty, em Brasília, para expressar pacificamente seu apoio ou rejeição à visita do governante. Em entrevista coletiva concedida em conjunto com Lula, o líder iraniano se mostrou moderado, explicou com detalhes sua visão sobre o conflito que seu país tem com a Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea) e atribuiu aos países ocidentais tudo o que classificou como "constante ataque" contra o Irã.
Segundo Ahmadinejad, o "ataque ocidental" começou com o triunfo da "revolução islâmica", como é conhecido o processo que, em 1979, levou à derrocada do xá Mohamad Reza Pahlevi e impôs um regime nacionalista com forte influência religiosa e oposto aos Estados Unidos. O presidente iraniano não citou explicitamente as diferenças de seu governo com Israel, mas avaliou o papel do Brasil no cenário internacional e assegurou que o país "pode ter um papel ativo" na busca pela paz.
Ahmadinejad deu ainda "boas-vindas à presença do Brasil na Ásia e no Oriente Médio", por considerar que o país "pode fortalecer a cooperação" e também "contribuir para a estabilidade" na região. Lula aceitou a proposta e destacou o fato de que o Irã "pode ter um papel decisivo para a paz no Oriente Médio e na Ásia Central", assim como também pode ser "especialmente importante" para conseguir a "união" dos palestinos.
Como em ocasiões anteriores, o presidente defendeu o "direito" do Irã de
desenvolver um programa nuclear
com fins pacíficos e em concordância com as regras de organismos internacionais.
- O que defendemos para nós, defendemos também para os outros países - declarou Lula - O Brasil tem um modelo de desenvolvimento de energia nuclear reconhecido pelas Nações Unidas - completou.
O presidente lembrou, no entanto, que em matéria nuclear "a não-proliferação e o desarmamento devem andar juntos", pois essa será a única maneira de ajudar a construir a paz no mundo. Lula disse que o Brasil se ofereceu para promover "o diálogo, a tolerância e a paciência" no Oriente Médio, com uma ferrenha "defesa dos direitos humanos" e seu "repúdio a todo tipo de intolerância e terrorismo".
O presidente alegou que sem uma "sólida cooperação não haverá paz duradoura nem estabilidade" e afirmou que para construir uma paz real "é necessário que primeiro sejam estabelecidos canais de confiança e comunicação, com desprendimento e coragem". Lula, que após receber Shimon Peres há dez
dias e Mahmoud Abbas na semana
passada anunciou viagens a Israel e Palestina para março do ano que vem, disse que espera retribuir a visita de Ahmadinejad em abril ou maio de 2010.
Após a reunião de hoje, Lula e Ahmadinejad assinaram acordos bilaterais nas áreas de energia, ciência e tecnologia, comércio, indústria, agricultura e de finanças. Além disso, os dois líderes assinaram um acordo de supressão recíproca de vistos para diplomatas de ambos os países, que em um futuro próximo poderá ser estendido a todos os cidadãos brasileiros e iranianos que viajarem por motivos turísticos.
Concluída a reunião com Lula, Ahmadinejad foi à sede do Congresso para uma visita protocolar que incluiu um encontro com os presidentes da Câmara dos Deputados, Michel Temer, e do Senado, José Sarney. Segundo sua agenda oficial, o líder iraniano também daria uma palestra a um reduzido número de alunos de uma universidade privada de Brasília, mas o evento foi suspenso por causa da longa duração de seu encontro com Lula,
que atrasou toda a
programação. Ahmadinejad permanecerá no Distrito Federal até amanhã, quando seguirá para a Bolívia, terceira escala de uma viagem que começou no Senegal e terminará na Venezuela.
A impecável atuação de Celso Amorim e Samuel Pinheiro Guimarães estão dando o tom de uma extraordinária abertura de oportunidades solenemente ignoradas por governos anteriores, que tinham medo de "incomodar" as potências, temendo represálias de órgãos como o FMI, só para dar exemplo. Devemos encarar este contato, independente das imbecilidades ditas contra o governante iraniano e valorizar o que está sendo oferecido ao Brasil - influência e negócios que nos gerarão importantes empregos.
Palmas para o Presidente Lula! Como líder, não deu ouvidos à ignorância diplomática da imprensa nacional. Ahmadinejad viu, veio e deu um show, mostrando que radical é a corrupção na política brasileira; infelizes àqueles que protestaram sem conhecer as posições do líder iraniano; demonstrou-se coerente, moderado e muito inteligente e que cooperação entre as nações podem resultar sim na paz mundial; ou alguém já esqueceu que o bush está até hoje procurando armas de extermínio em massa no Iraque.
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