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Minneapolis – Enquanto Elizabeth Foy Larsen crescia, nos anos 70, passava grande parte do tempo assistindo à televisão. Mas hoje, com três filhos e uma casa de quatro quartos ao estilo mediterrâneo repleta de computadores, televisões e iPads, Larsen se vê travando uma batalha constante contra as telas.
— Em alguns dias — disse ela — fica difícil saber se é um lar de família ou um centro de mídias.
Entrar na batalha contra a passividade tecnológica é, em parte, o que inspirou "Unbored: The Essential Field Guide to Serious Fun" ("Sem tédio: guia prático essencial para diversão de verdade", em tradução livre), o novo livro da Bloomsbury que Larsen escreveu em parceria com Joshua Glenn. Com ideias práticas como, por exemplo, como fazer grafite de LED e manifestos para exploração do ambiente do ilustrador Joe Alterio e de outros, a leitura lembra um livro antigo de atividades infantis para uma família moderna.
Larsen, de 48 anos, antiga editora da Sassy, revista alternativa para garotas dos anos 90, disse que o livro foi feito para fazer as crianças se envolverem em atividades que fortaleçam os laços sociais e moldem sua identidade pessoal. Muitas das sugestões, disse ela, foram testadas em sua própria casa, em Minneapolis.
— O capítulo sobre como decorar o quarto veio diretamente do fato de fazer meus filhos criarem ambientes de que eles gostassem — explicou.
Seu filho do meio, Henrik, de 10 anos, escolheu para o quarto paredes laranjas que ela comparou a "estar no meio de uma lata de suco de laranja concentrado". Foi uma escolha que testou suas convicções de que uma família deve ser comandada como uma democracia, na qual os pais exercem um poder mais ameno ao invés de uma ditadura.
Mas Henrik vetou suas sugestões de cores mais suaves, e Larsen concordou: — É o quarto dele. Eu queria que ele o tivesse do jeito que fizesse sentido para ele.
Seu filho mais velho, Peter, de 13 anos, que é fã de design moderno, escolheu seus próprios móveis na Ikea e, com a ajuda de um artista amigo da mãe, fez um estêncil da vista de Los Angeles na parede acima da cama.
— Ele acha que vive em uma cidade pequena demais — disse Larsen.
O único filho que não teve controle criativo foi Luisa, de 8 anos, que era apenas um bebê quando a família se mudou.
— Ela não é muito fã do papel de parede florido Cath Kidston — disse Larsen. — Mas ela tinha apenas 2 anos quando eu fiz isso, então ela não tinha muitas opiniões.
Quando Peter for para a faculdade, Luisa ficará com seu quarto e terá a chance de mostrar suas habilidades artísticas.
Larsen e o marido, Walter Schleisman, de 44 anos, diretor assistente de uma escola pública local, idealizavam uma vida sem tédio para os filhos desde 2006, quando compraram a casa, por 770 mil dólares. Seus 270 metros quadrados ofereciam mais espaço para se movimentar do que a antiga casa, e a proximidade dos parques encorajou brincadeiras fora da casa.
— Nós queríamos uma vizinhança que nossos filhos pudessem explorar conosco — Larsen disse, adicionando o fato de o Lago Cedar ter uma abundância de "cantos e recantos".
Mesmo que eles precisem de um empurrãozinho.
— Nossos filhos têm 255 canais e internet ilimitada, e mais a App Store — disse Schleisman. — É um desafio.
A única desvantagem foi a suíte minúscula do casal, com uma porta de correr que abria para o que seria um quarto de criança. Então o casal derrubou a porta e aumentou o quarto para incluir um escritório para Larsen e uma banheira sofisticada.
Em outro lugar, Larsen trabalhava com uma designer, Janet Gridley, para replicar a sensação das casas de sua mãe e avó, que combinavam elementos tradicionais com uma pitada dos anos 70. Papel de parede de Toile na sala de jantar parece conservador, mas o desenho exibe faisões absurdamente grandes, e o lustre é feito de filtros de café.
No espírito do "Sem Tédio", Larsen tentou não ser perfeccionista ao decorar a casa. Na verdade, a sala de estar muitas vezes parece um acampamento de batalha, segundo ela, com cobertores e toalhas cobrindo a mobília enquanto as crianças fazem fortes. E embora o papel de parede de palha que reveste a sala da família tenha sido a primeira coisa que Larsen escolheu para a casa, ela concordou que ele ficaria bem melhor com um sofá mais chique. Mas Darwin, o labrador da família, insiste em pular na mobília.
— As crianças não estão comandando o show, embora algumas vezes pareça que sim — disse Larsen. Então ela completou dizendo o que poderia ser um mantra para qualquer um que tenha uma casa cheia de crianças: — É um processo.













