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Criatividade longitudinal27/11/2012 | 11h02

Casa preenche vazio entre prédios de diferentes épocas em Varsóvia

Com 1,2m na parte mais larga e 71cm na mais estreita, trata-se da casa mais fina do mundo

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Casa preenche vazio entre prédios de diferentes épocas em Varsóvia Andrea Meichsner/NYTNS
Companhias locais de aço, comprometidas em construir shoppings e outras grandes obras, não demonstraram interesse na pequena e complexa construção Foto: Andrea Meichsner / NYTNS
Steven Kurutz


Há três anos, Jakub Szczesny, um arquiteto polonês, andava por um gueto judeu em Varsóvia, quando avistou uma estreita área entre um prédio de apartamentos alugados pré-guerra e um condomínio de 11 andares pós-guerra.

– Eu me apaixonei pelo espaço e decidi construir uma casa no vão entre eles, uma conexão – relatou o profissional.

Foi então que o arquiteto quis fazer uma casa para o escritor israelense Etgar Keret, cuja reputação por produzir uma coletânea de pequenos contos o marcou como alguém acostumado a trabalhar com pequenos parâmetros. Além disso,o autor de raízes polonesas e herança judia mantém uma conexão comovente comVarsóvia.

Foi então que em outubro, após um ano de trâmites burocráticos e desafios de engenharia, a Casa Keret abriu suas portas – ou porta. Com 1,2m na parte mais larga e 71cm na mais estreita, é a casa mais fina do mundo. O design tem estrutura de aço leve, construída de pequenos módulos aparafusados.


Passando pelo hall de entrada, pela escada da casa, chega-se ao segundo piso, que comporta uma cama com dimensões tãoincomuns que não encoraja qualquer hóspede a passar sequer uma noite lá dentro.

– Foi um leque de impossibilidades. Tivemos ataques do coração, um atrás do outro – disse Szczesny sobre o processo.

Pela lei da Polônia,a Casa Keret é muito pequena para ser considerada uma residência.


A parte de baixo tem menos de um metro de largura, com uma pia em miniatura e uma porta de correr que esconde louças e móveis diminutos dentro do estilo banheiro de avião

Ela foi classificada como instalação de arte, para ser de posse e de administração da Fundação deArte Moderna da Polônia.

Szczesny e Keret vão selecionar artistas para morarem lá por cinco ou sete dias, fazendo do local um palco para iniciativas artísticas.


O arquiteto usou plástico semitransparente no teto e nas aberturas laterais da residência, em vez do usual concreto, para aumentar a uminosidade interna e potencializar a ideia de espaço em uma área tão estreita

– Para mim, é como uma metáfora reclamar um lugar na Polônia. Nesse lugar onde mataram nossa família, agora haverá uma casa chamada Casa Keret.Somos do tipo que conquista o espaço – finaliza Szczesny.

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