Mar de rosas09/07/2012 | 13h04

Rosa volta a ocupar espaço de destaque em perfumes e cosméticos

Grandes empresas voltam a colocar a rosa nas composições de seus produtos

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Rosa volta a ocupar espaço de destaque em perfumes e cosméticos Tony Cenicola/NYTNS
Creme contra envelhecimento da Lancome é um dos formulados com rosa Foto: Tony Cenicola / NYTNS
Bee Shyuan Chang


A rosa voltou. Deixa para trás a fama de fragrância datada e ressurge na perfumaria e na cosmética, associada ao arsenal antirrugas. Em junho, a Lancôme lançou o Absolue LExtrait Regenerating Ultimate Elixir (US$ 350), com células maduras de folhas de rosa, que estimulam a produção de colágeno. Outro produto na mesma linha de revalorização da flor é a máscara de rosa negra que Sisley Paris lança em agosto ou setembro (US$ 158).

- Estudos feitos no Japão demonstram que os extratos de rosa ajudam a recuperar os danos relacionados ao colágeno e à elastina - afirma o dermatologista norte-americano David Colbert, criador de óleo facial Illumino (US$ 125). - Além disso, as qualidades aromáticas da flor afetam o sistema límbico, e o cérebro é responsável também pela qualidade da pele: a flor é lindíssima, o aroma é calmante... Qualquer associação positiva pode ajudar.

Dendy Engelman, diretora de dermatologia do NY Medical College, é cética em relação aos benefícios:

- Alguns estudos mostram que certas rosas possuem grandes quantidades de vitamina C, que tem propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias, mas daí a dizer que têm poder de regeneração das células é um exagero.

A grife Sisley é abastecida de rosas Black Baccara, de pétalas grandes e tom vermelho bem escuro, por uma família que cultiva rosas há seis gerações, no sul da França. Segundo Isabelle Thuillier, diretora de pesquisa e avaliação da marca, o pigmento profundo contém mais benefícios anti-idade do que as variedades comuns de jardim.

- Há também o fator sedução: a combinação do vermelho escuro, profundo, com o toque suave de veludo é mágica - sublinha Isabelle.

Na maison Christian Dior, o balm Creme de Rose é um dos campeões de vendas. (A propósito, Dior era um jardineiro inveterado, e a rosa era uma de suas flores favoritas).

A francesa Melvita criou um néctar com extratos de uma espécie selvagem que floresce apenas a grandes altitudes, utilizando a flor inteira, e também as folhas e os botões. A colheita é feita em junho por um especialista, que vai buscá-las em uma montanha no sul da França.

A nova linha Aérin Lauder também lança em agosto um creme para mãos e corpo e um condicionador labial com rosas.

Apareceu a magnólia

A rosa também tem desfilado nas passarelas, em desfiles de Valentino, Lanvin e Erdem, grife que estampou com as flores em saias, vestidos e clutches de noite. Sandy Cataldo e Lynn Welsh Emmolo criaram a linha de fragrâncias A Dozen Roses, em julho do ano passado, e lançam este mês Amber Queen, com a rosa absoluta, a rosa pêssego, clementina e âmbar. Stella by Stella McCartney leva rosa misturada com peônias, tangerina e âmbar.

Para os homens, a rosa se mistura com sândalo e pimenta em Declaration d'un Soir de Cartier, que chega às lojas em agosto. Nos próximos meses, Tom Ford lança Cafe Rose, misturando a flor a açafrão e café.

Presente no lendário Chanel No. 5, a rosa passou décadas preterida na indústria de cosméticos.

- Foi por causa da rosa cor-de-chá, popular nos anos 50 e 60, mas, na verdade, é uma flor híbrida. É dela que vem aquele cheiro meio antiquado, de coisa guardada. Na loja, a gente chama de "cheiro de avó" - explica Ben Krigler, da Krigler Perfumes de Nova York, perfumaria que desenvolveu um aroma de rosas próprio, acrescentando rosa Antibes ("o verdadeiro aroma de rosas", define ele) e reduzindo os elementos de lilás e flores brancas.

Krigler lembra que cada década tem uma flor de destaque: no fim dos anos 1960 e nos 1970, foi o patchuli. Depois, o jasmim. Na década passada, a íris, e agora a rosa está de volta. Ele, porém, ressalva:

- A magnólia anda em evidência. Com certeza, a rosa já tem concorrência.

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