20/08/2010 | 10h55

Cirurgião plástico esclarece os riscos da lipoaspiração

Trombose e embolias são os principais problemas decorrentes do procedimento

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Se você digitar hoje "lipoaspiração" no Google verá diversas notícias associando o procedimento a complicações e até mesmo ao falecimento de alguns pacientes. Nos últimos anos, problemas durante a realização desta cirurgia têm ocupado espaço na mídia, em todo o país.

— Na verdade, não existe uma cirurgia mais arriscada do que outra, nem mesmo as cirurgias plásticas. A lipoaspiração está sujeita às mesmas complicações que qualquer outro procedimento cirúrgico — explica Ruben Penteado, cirurgião plástico, diretor do Centro de Medicina Integrada. 

Após mais de trinta anos de aplicação da técnica, a lipoaspiração está consolidada no Brasil. As estatísticas da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, SBCP, indicam a realização de 90 mil lipoaspirações por ano.

— Precisamos avançar nas questões que garantam maior segurança à realização do procedimento, o que necessariamente passa por uma melhor qualificação dos profissionais — destaca o médico.

Problemas com a lipoaspiração acontecem quando a indicação do procedimento não é precisa. No rol das promessas de emagrecimento fácil estão chás medicinais, adesivos cutâneos, ‘dietas da moda’, pílulas que regulam o apetite, cirurgias de redução do estômago... Freqüentemente, a lipoaspiração também é a saída procurada por pessoas que estão acima do peso.

— A lipoaspiração não é um método de emagrecimento. É um procedimento destinado a remover gordura localizada, como as que se encontram debaixo dos braços, nos quadris e na região abdominal. É o tipo de gordura que dificilmente pode ser eliminado, mesmo com o auxílio de exercícios físicos e de uma nova dieta — explica Ruben Penteado.

Vale destacar também que esta regra só se aplica a pacientes adultos. Crianças, ainda que tenham acúmulo de gordura no corpo, a ponto de comprometer seu bem estar físico e psicológico, não devem se submetidas à lipoaspiração.

— Já para os adolescentes, a lipoaspiração pode ser indicada, contanto que o jovem operado não seja obeso — destaca Penteado.

Além da indicação bem feita, as contra-indicações precisam estar bem claras também.

— A partir de 10% a mais do peso ideal, os resultados da lipoaspiração não são tão satisfatórios. É importante entender que se trata de uma cirurgia de acerto de contornos e não deve ser encarada como um método para emagrecer — explica Ruben Penteado.

Há um limite de gordura que pode ser retirado. De acordo com as normas do Conselho Federal de Medicina, não se pode passar de 7% do peso corporal do paciente na lipoaspiração úmida (com injeções de soluções líquidas) e 5% de retirada de gordura na lipoescultura a seco.

Doenças cardíacas graves, alterações pulmonares, anemia, diabetes e hipertensão arterial precisam estar sob controle para que o paciente seja operado.

— Outra grande contra-indicação diz respeito às alterações psicológicas, como depressão e doenças ligadas à auto-imagem, como a anorexia e a bulimia. Nesses casos é preciso acompanhamento profissional psicológico antes da cirurgia — defende o cirurgião.

Para evitar problemas

Um fator que contribui para o sucesso do procedimento é o conhecimento dos riscos por parte do paciente.

— O paciente deve ser informado que independentemente da técnica, os maiores riscos da lipoaspiração são tromboses e embolias. Para prevenir problemas é necessário que o médico investigue se o paciente apresenta histórico anterior de flebite e trombose nas pernas. Deve ser usada uma bomba massageadora, durante e após a cirurgia, para estimular a circulação na panturrilha. É aí que reside o risco de formação de flebite e trombo, que pode causar até mesmo uma embolia pulmonar.

A realização da cirurgia em ambiente adequado, com toda a infra-estrutura para atendimento de emergência e acompanhamento de anestesiologista também auxilia na prevenção de intercorrências. O paciente deve também observar a estrutura de atendimento ambulatorial do profissional. Durante a consulta, o especialista deve passar calma, confiança, além de tirar todas as dúvidas do paciente.

— Se o ambiente apropriado é importante, imagine então o cuidado na escolha do cirurgião plástico. O primeiro passo é verificar se o profissional é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Depois, é conveniente conversar com pacientes que já foram operados por esse médico e verificar também se ele atua em bons hospitais e se a equipe dele é habilitada e treinada — aconselha Ruben Penteado.

Por enquanto, não há nenhuma normatização impedindo que um médico de outra especialidade faça uma cirurgia plástica. Mesmo não sendo obrigatório, o título de especialista indica um maior preparo. Para recebê-lo, o médico precisa fazer dois anos de residência em cirurgia geral e três anos em cirurgia plástica. Depois, se submete às provas da SBCP e torna-se membro da Sociedade, que tem 4.800 associados.

Fonte: MW Consultoria

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