Oásis moderno11/07/2012 | 06h03

Proposta de casa multifuncional junto a palmeiras imperiais respeita o ritmo dos donos

Entre as soluções do projeto, pelo menos duas propostas pontuais têm a influência direta da vegetação preexistente

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Proposta de casa multifuncional junto a palmeiras imperiais respeita o ritmo dos donos Nattan Carvalho,Divulgação/Nattan Carvalho,Divulgação
Na casa de arquitetura limpa, com o uso equilibrado entre concreto aparente, madeira e basalto, há economia de tons combinados à transparência de grandes áreas envidraçadas Foto: Nattan Carvalho,Divulgação / Nattan Carvalho,Divulgação
Com o frescor e a imponência da paisagem reservados a quem desfruta do oásis arquitetado intramuros, esta residência propõe um mundo à parte em plena Capital. Mimetizada ao espaço urbano do bairro Chácara das Pedras, implantada em terreno de 1,32 mil metros quadrados, a construção abraça espécies com décadas de vida, como o trio de palmeiras imperiais – colunata verde imitada pelo recurso do concreto na fachada moderna. A porta de entrada da casa em área elevada do terreno marca o centro do acesso para veículos, inspirado nos tradicionais pórticos para desembarque de passageiros (porte-cochére).

Entre as soluções do projeto dos arquitetos do Stemmer Rodrigues Criadores Associados, pelo menos duas propostas pontuais têm a influência direta da vegetação preexistente: o deque em balanço e o recurso do espelho d'água nasceram do esforço de preservar a natureza e criar a ilusão ótica de as palmeiras cinquentonas estarem emergindo da piscina. Em terra firme, um galho do cedro ainda exigiu um recorte na construção para ser mantido com saúde. Antes dos primeiros esboços, havia também a definição no entorno da obra assinada por Ingrid Stemmer, Paulo Henrique Rodrigues e Roberto Stemmer do jardim com espécies como guapuruvu, pau-ferro e jabuticabeira.

Alas independentes
Admirar a paisagem, do estar com o conforto da lareira sob a proteção de um pergolado ou treinar basquete – a quadra é propositalmente oculta pelos verdes da vegetação e dos muros do fechamento – e curtir a piscina são atividades propostas ao ar livre. Mas a morada reserva um grande trunfo de lazer interno: dos 1,29 mil metros quadrados construídos, 184 metros quadrados são destinados a um prazer importante para a família: as festas. Observe o acesso direto ao volume da ala que se integra mas não prejudica o uso simultâneo da casa.


Fotos: Nattan Carvalho, Divulgação

– As áreas são independentes não pelos filhos, mas pelos pais – ressalta a arquiteta Ingrid, ao reforçar o gosto do casal com duas filhas jovens por festejar a vida.

Jardim, parede e sacada
Com 9m de altura, a parede verde junto à escultórica escada – outra tradução moderna de uma estrutura tradicional – embeleza e equilibra o clima interno:

– Funciona como uma torre de circulação e ventilação – ressalta o arquiteto Paulo Henrique Rodrigues, integrante do trio de criadores do projeto desta casa na Capital.

Nessa região, além do uso de um painel de espelho a ampliar a imagem, uma abertura regulável no forro propicia, além da luminosidade natural, o controle da ventilação. A criação do jardim vertical envolveu uma equipe multidisciplinar – um agrônomo, inclusive – para precisar a escolha das espécies e a sua adaptação ao local, servido por um sistema de irrigação permanente e controlado.

Pedras e madeiras formam caminhos, combinadas ao metal da estrutura da escadaria. Tudo leva à luz da abertura no teto, rota descoberta pelos pássaros do jardim externo.

Escultura concreta
Recebe o visitante a escultura figurativa de Vânia Braga no hall da residência projetada em detalhes, do conceito estético de linhas e materiais aos quesitos de sustentabilidade.

Para adotar a arquitetura limpa, que prescinde de muitos objetos decorativos, mas sem gerar ambientes de aparência fria, entraram em cena os revestimentos:

 

– A costaneira do granito e os elementos de madeira fazem contraponto ao concreto aparente – diz Ingrid Stemmer, ao explicar que intermedia essa mistura de materiais expostos o tom fendi da pintura das paredes.

No living servido por grandes estofados, a composição de materiais adota a madeira pau-ferro, com acabamento em leve anilina, para remeter à madeira jacarandá, e mais acabamento em laca alto-brilho. O piso claro, de uma pedra espanhola, é mesclado com travertino rústico no ambiente. Tudo para criar uma sala convidativa ao uso.

E na morada o trio iluminação natural, ventilação cruzada e insolação Norte se alia à proposta de aquecimento solar da água (inclusive das piscinas interna e externa) com o complemento de gás para corresponder à contemporânea premência pela sustentabilidade. Os arquitetos Paulo Rodrigues e Ingrid têm a experiência do sistema em sua própria casa com resultado de economia em torno de 50% no consumo de gás combinado com placas fotovoltaicas.

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