Versão mobile

Medicamento14/03/2013 | 17h01

Estudo mostra que Viagra é ineficaz para tratar insuficiência cardíaca

Pesquisa contradiz estudos feitos anteriormente

Enviar para um amigo
Estudo mostra que Viagra é ineficaz para tratar insuficiência cardíaca Daniel Conzi/Agencia RBS
Algumas pesquisas anteriores haviam sugerido que o fármaco, que pode aumentar o fluxo sanguíneo para outras partes do corpo, poderia beneficiar pessoas com insuficiência cardíaca diastólica Foto: Daniel Conzi / Agencia RBS

O medicamento contra a disfunção erétil conhecido como Viagra é ineficaz para tratar a insuficiência cardíaca e não deve ser tomado com este fim, revelou uma pesquisa publicada esta semana nos Estados Unidos, que contradiz estudos feitos anteriormente.

Algumas pesquisas anteriores haviam sugerido que o fármaco, que pode aumentar o fluxo sanguíneo para outras partes do corpo, poderia beneficiar pessoas com insuficiência cardíaca diastólica, na qual as cavidades inferiores do coração endurecem e não conseguem bombear sangue corretamente, provocando fraqueza e desânimo.

O estudo aleatório, feito com 216 pacientes em 26 localidades da América do Norte, mostrou que o medicamento, cujo princípio ativo é denominado sildenafil, é tão eficiente quanto um placebo em melhorar os sintomas clínicos da insuficiência cardíaca. Além disso, um número maior de pacientes que tomaram o medicamento apresentou reações adversas graves em comparação com aqueles que ingeriram o placebo, o que levou os pesquisadores a recomendarem aos médicos que deixem de prescrevê-lo para pessoas com doenças cardíacas.

— Os resultados do nosso estudo foram surpreendentes e decepcionantes. Havia muita expectativa em torno deste estudo com base em outras pesquisas e tínhamos a esperança de encontrar algo que pudesse ajudar estes pacientes, já que há poucas opções de tratamento atualmente para este trastorno — disse Margaret Redfield, autora principal e professora na Clínica Mayo em Rochester, Minnesota (norte).

A idade média dos pacientes estudados era de 69 anos e quase a metade (48%) era de mulheres. Depois de 24 semanas não foi comprovada nenhuma melhora cardiovascular nos pacientes. Durante o período de estudo, os efeitos adversos, como sufocamentos e baixa pressão arterial, foram mais frequentes nos pacientes que tomaram sildenafil do que nos que tomaram o placebo.

Além disso, seis pessoas do grupo que tomou sildenafil morreram antes do fim da pesquisa, enquanto não houve óbitos entre aqueles que ingeriram o placebo.

A pesquisa foi divulgada na reunião anual do Colégio Americano de Cardiologia (ACC, na sigla em inglês), em San Francisco, e publicada simultaneamente no Journal of the American Medical Association (JAMA). "Houve mais (mas não muitos mais) pacientes que retiraram seu consentimento, morreram ou estavam doentes demais para fazer o teste de esforço cardiopulmonar no grupo tratado com sildenafil, o que poderia acentuar a ausência de benefícios observados", destacou o artigo.

O sildenafil e outros medicamentos similares — conhecidos como inibidores da fosfodiesterase 5 (PDE5) — são utilizados para tratar a disfunção erétil e a hipertensão pulmonar, mas não são indicados para tratar a insuficiência cardíaca.

No entanto, alguns médicos os receitavam a pacientes com o problema, pois alguns estudos em humanos e estudos preliminares em animais tinham sugerido um benefício. Os últimos resultados conhecidos "devem desestimular esta prática, sobretudo levando em conta o alto custo da droga", disse Redfield em um comunicado.

Comentar esta matéria Comentários (0)

Esta matéria ainda não possui comentários

Siga @bemestarzh no Twitter

clicRBS
Nova busca - outros