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Alerta17/12/2012 | 19h00

Veja como uma gripe comum pode se tornar perigosa

Caso do escritor Luis Fernando Verissimo, que sofreu uma infecção generalizada em decorrência de uma gripe, emite o alerta sobre os perigos dessa doença tão comum

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Veja como uma gripe comum pode se tornar perigosa Fernando Gomes/Agencia RBS
O escritor Luis Fernando Verissimo Foto: Fernando Gomes / Agencia RBS

"Descobri que 'só uma gripe' pode matar". A frase redigida pelo escritor Luis Fernando Verissimo após ficar 23 dias internado no Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, emitiu um alerta: até mesmo uma doença comum, como a gripe, pode se transformar em algo muito mais grave.

O escritor, de 76 anos, está em casa desde a tarde de sexta-feira. Os exames concluíram que uma gripe comum levou a uma infecção generalizada e Verissimo chegou a permanecer por 12 dias no Centro de Tratamento Intensivo do hospital.

A equipe do caderno Vida, de Zero Hora, foi buscar mais informações sobre como uma gripe comum pode se tornar tão perigosa. Confira:

Influenza, a gripe comum

Popularmente chamada de gripe, a influenza é uma doença viral altamente contagiosa, caracterizada por febre de início súbito e tosse. Embora o registro seja sazonal (entre abril e setembro, no hemisfério Sul, e de dezembro a março, no hemisfério Norte), ela pode surgir no verão. Isso porque, nesta época, as defesas do corpo podem ser reduzidas, favorecendo o aparecimento de infecções. Entre os motivos mais comuns, estão a exposição solar - que aumenta a desidratação - e o choque térmico provocado pela temperatura do ambiente em contraste com a do ar-condicionado.

A doença pode ser potencialmente grave para pacientes com saúde frágil e pertencente aos chamados grupos de risco, do qual Verissimo faz parte. Aos 76 anos, diabético e hipertenso, ele evoluiu rapidamente para um quadro grave. Segundo o alergista e imunologista Luiz Antonio Bernd, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, há duas maneiras de impedir que os sintomas se agravem: a vacinação prévia e a utilização do Tamiflu, medicamento que reduz a multiplicação dos vírus da gripe (Influenza A e B).

Segundo a infectologista Nancy Bellei, professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), qualquer pessoa é suscetível à infecção e a eventuais complicações, porém, em pacientes de risco, a evolução da doença costuma ser mais grave e pode levar à hospitalização e, em alguns casos, ao óbito.

Estudos internacionais apontam que há complicações em 20% dos pacientes hospitalizados por Influenza e em 35% daqueles internados com pneumonia associada a essa doença. Mortes por causa cardíaca, vascular ou neurológica também aumentam em épocas de circulação da gripe.

Todos os anos, em média, um em cada 10 adultos e uma em cada três crianças são afetados pelo vírus, sendo que cerca de 100 milhões de pessoas são infectadas a cada ano no hemisfério Norte.

Principais complicações da gripe

A gripe pode levar à pneumonia, uma das evoluções mais graves da doença e uma das principais causas das mortes. Infarto e insuficiência renal também aparecem como complicações graves.

Grupos de risco

— Crianças menores de cinco anos e, especialmente, as menores de dois anos de idade
— Idosos
— Imunossuprimidos (pacientes que têm imunidade comprometida, como soropositivos)
— Gestantes
— Portadores de doenças pulmonares ou cardiovasculares
— Pacientes com doenças metabólicas ou doenças renais crônicas
— Pessoas que apresentam distúrbios neurológicos
— Profissionais da saúde, sobretudo os que trabalham em hospitais

Sinais potenciais de complicações

— Respiração muito rápida e esforçada, ofegante
— Falta de ar
— Cianose (ficar roxo)
— Gemido respiratório constante
— Recusa alimentar total para além de duas refeições
— Vômitos repetidos (mais de quatro ou cinco) em poucas horas
— Febre prolongada (mais de seis dias seguidos)
— Reaparecimento da febre, quando parecia estar já a melhorar da gripe
— Dor torácica
— Cansaço e prostração

Como Prevenir

Atenção à troca de temperaturas: para evitar danos à saúde, a temperatura do ar-condicionado não pode ficar tão fria: o ideal é que fique entre 20°C e 22°C. Outra medida é, antes de sair de um ambiente frio para outro quente, colocar um agasalho para evitar a mudança brusca. Então, é preciso esperar até que a temperatura do corpo se equilibre. Evitar lugares refrigerados com um grande número de pessoas também diminui as chances de ter uma infecção.

Alimente-se bem: não deixe de incluir frutas ricas em vitamina C, como a laranja e a bergamota. Farinha de linhaça é rica em ácidos graxos ômega 3, o que ajuda a aumentar a resposta imunológica do organismo contra doenças como a gripe. Tome bastante líquido, de preferência água e sucos.

Cuide da higiene e use álcool gel para higienizar as mãos sempre que puder.

Vacine-se: a vacinação é a forma mais eficaz e econômica da prevenção da influenza e está indicada a partir dos seis meses. Ela garante quase 100% de imunidade e, em caso de exceção, raramente evoluirá para um quadro grave.

Comentar esta matéria Comentários (2)

lissandra

O ar-condicionado é um problema... 95% das pessoas exageram e colocam em 17°(inclusive em ônibus e lotações). Não há organismo que aguente!

18/12/2012 | 10h14 Denunciar

Daniel Agra Iserhard

Amigos, não sei quem informou o repórter, mas essa LENDA de "choque térmico" é uma BOBAGEM COLOSSAL há muito desmistificada. Não existe relação nenhuma entre diferença de temperatura e infecção por um VÍRUS.

17/12/2012 | 22h14 Denunciar

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