Conhecida pelos antigos como tosse comprida, a coqueluche está de volta. Os gaúchos estão vivendo o pico de uma sequência de novos casos da doença, iniciado na primavera e que deverá se estender até a metade de janeiro. Comparando números deste ano (até o último dia 3) com os registros de todo o ano passado, já há um aumento de 171% nos casos.
Doença da qual a maioria das novas gerações pouco ouviu falar, a coqueluche tem como particularidade aparecer em ciclos de quatro anos, em diferentes datas, ao redor do mundo. Trata-se de uma enfermidade infecciosa, aguda e transmissível que compromete o aparelho respiratório.
No Brasil, em uma comparação entre os 10 primeiros meses de 2012 e igual período do ano passado, houve um aumento de 115% no número de casos. Neste ano, o Rio Grande do Sul é superado na incidência apenas pelo Espirito Santo e Santa Catarina. No território gaúcho, estão sendo investigadas sete mortes, sendo que duas já foram confirmadas, todas de crianças com menos de um ano.
— A situação já foi bem pior. Hoje temos 439 casos, nos anos 80 eram 40 mil (80 mil no Brasil). Conseguimos controlar a doença com vacinação — explica a chefe da Divisão de Vigilância Epidemiológica do Estado, a médica sanitarista Marilina Bercini.
A vacina tem, em média, 80% de garantia de imunização. O fato de já ter tido a doença não imuniza totalmente a pessoa. Marilina afirma que a incidência de casos deverá entrar em decadência no final da primeira quinzena de janeiro. E que há uma série de fatores que explicam o fato de a doença ser cíclica. Um deles são os nascimentos, já que a criança só é imunizada após os dois meses. Outro fator é que, com a diminuição do número de casos, que ocorreu nas últimas décadas, muitos dos pais fazem apenas a primeira dose da vacina e esquecem de dar os reforços.
— A prevenção é melhor maneira de se proteger — esclarece Marilina.
Secretaria de Saúde da Capital
emitiu alerta a médicos em outubro
As duas mortes confirmadas registradas no Estado ocorreram em Porto Alegre, que ostenta 50% dos casos do Rio Grande do Sul. Na Capital, o crescimento é de 271% nas ocorrências. Há vacinas disponíveis nos postos de saúde para as crianças de zero a seis anos e onze meses, explica o coordenador da Vigilância em Saúde da Capital, José Carlos Sangiovanni. Ele lembra que, embora 84% dos casos ocorram entre crianças de até quatro anos, adolescentes e adultos podem contrair a doença. Daí a recomendação de cuidados com a higiene das mãos.
— Se tiver tosse persistente, não custa procurar um médico — recomenda.
As autoridades sanitárias da Capital lembram que, em outubro, foi distribuído na rede da saúde pública um alerta para os médicos sobre a volta da coqueluche. Isso contribui para a identificação dos casos, que muitas vezes são confundidos com outras doenças respiratórias.
A DOENÇA
Altamente contagiosa, a coqueluche é uma infecção causada por bactéria que compromete o aparelho respiratório. Crises de tosse (cinco a 10 tossidas) em uma única respiração, vômitos pós-tosse, coriza e febre são os principais sintomas da doença, transmitida ao falar, tossir ou espirrar. Segundo o Ministério da Saúde, a incidência da doença no Brasil era de 0,3 para cada 100 mil habitantes em 2010 e subiu para 0,8 em 2011.
A VACINA
— A rede pública disponibiliza a vacina para as crianças de zero a seis anos e 11 meses. Aos dois meses, a criança deve tomar a primeira dose. A segunda é dada aos quatro meses e a terceira aos seis meses, quando passa a ser considerada imunizada. Depois, são dados dois reforços: o primeiro aos 15 meses e outro entre quatro e seis anos.
— A rede privada tem vacinas para adultos. O preço médio é de R$ 110.
— As vacinas disponíveis não têm 100% de eficiência — em média, chegam a 80%. Mesmo que tenha sido vacinada quando criança ou que já tenha tido a doença, a pessoa poderá voltar a adoecer caso seja contaminada novamente.
OS NÚMEROS
Confira a incidência de novos casos da doença no Estado, na Capital e no Brasil
2011 162 (Estado) 57 (Porto Alegre)
2012* 439 (Estado) 215 (Porto Alegre)
*Até 3 de dezembro
Brasil*
2011 1.446
2012 3.150
* Os números correspondem aos 10 primeiros meses de cada ano
Fontes: Secretaria Estadual da Saúde, Ministério da Saúde e Secretaria Municipal da Saúde.











