Um leão de braços abertos recepciona quem chega ao terceiro andar do Hospital de Clínicas de Porto Alegre.
No peito, o mascote da luta contra o câncer infantil exibe uma medalha com a palavra "coragem". O corredor até a porta que dá acesso à unidade de oncologia pediátrica do hospital é decorado por um caminho de tijolos amarelos, como o que a menina Dorothy percorre na história O Mágico de Oz até encontrar o caminho de volta para casa.
A nova ambientação do Instituto do Câncer Infantil do Rio Grande do Sul (ICI-RS), que será inaugurada na manhã desta quinta-feira, às 10h30min, aproveita a relação com a história infantil que acompanha o instituto desde sua fundação, em 1994, para dar mais cores ao hospital, onde crianças e adolescentes passam longo tempo internados para o tratamento do câncer.
— Esta unidade não é para quem tem uma dor de barriga, por isso, tão importante como o acolhimento médico competente e uma equipe bem treinada é termos um ambiente menos frio para esses pacientes e seus familiares — comenta o presidente do ICI-RS e chefe do Serviço de Oncologia Pediátrica do Hospital de Clínicas, Algemir Brunetto.
O médico explica que a escolha da história do Mágico de Oz para representar o instituto tem pelo menos duas razões: a construção do caminho para a cura das crianças para que elas, assim como Dorothy, voltem para casa e o amigo que a menina encontra no caminho, um leão que deseja encontrar coragem.
Nos tijolos amarelos do corredor de entrada, estão gravados os nomes de empresas e pessoas que fizeram as primeiras doações para a fundação do instituto e outros tantos estão abertos para serem preenchidos — até hoje a entidade se mantém com doações e campanhas de arrecadação de fundos, como a Corrida Pela Vida e o Mc Dia Feliz.
Coragem de leão
O leão Coragem chama a atenção de Gustavo Oliveira, de três anos, quando ele passa no corredor até a sala de recreação do hospital — toda enfeitada com balões para a festa de reinauguração. No Dia da Criança, uma suposta gripe que nunca melhorava levou à descoberta de uma leucemia. Desde então, foram 43 dias a fio de internação e agora retornos periódicos para a continuidade do tratamento.
— Assim como o leão, nós também temos de ter coragem para batalhar, e não é fácil — desabafa a mãe de Gustavo, Magui Ferreira, 34 anos.
Para cuidar do menino, ela teve de sair da creche em que trabalhava em Torres, no Litoral Norte, e deixar os outros dois filhos sob os cuidados do pai.
É por isso que o instituto contempla uma estrutura de apoio não só médico, mas também psicológico, pedagógico e até mesmo social, além de contar com uma unidade de pesquisa clínica para o estudo de tratamentos mais eficientes.
Com atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o ICI-RS tem índice de cura em torno de 80% e já tratou quase 2 mil crianças e jovens com câncer nas últimas duas décadas.
O que mudou
— Com a reforma, o número de leitos aumentou de 22 para 26
— Três leitos são dedicados a transplantes de medula óssea
— Uma sala de informática foi montada no espaço de recreação
— Sala pedagógica foi ampliada
— Toda a unidade está climatizada
Números do instituto
— 1,9 mil crianças e adolescentes atendidos desde 1994
— 71 pesquisas clínicas em andamento
— 50 pacientes ambulatoriais atendidos, em média, por dia
— 80% de cura no tratamento








