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Salvando vidas10/11/2012 | 07h26

Gaúcha de 80 anos lidera projeto que incentiva doação de sangue

Mais do que arrecadar doadores de sangue, busca fidelizar o público universitário, já que estatísticas do Ministério da Saúde indicam que os doadores no Brasil estão acima dos 29 anos

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Gaúcha de 80 anos lidera projeto que incentiva doação de sangue Mauro Vieira/Agencia RBS
Em parceria com a neta, Colorinda Sordi fez nascer um projeto cujo objetivo é arrecadar doadores jovens Foto: Mauro Vieira / Agencia RBS

A ordem natural da vida se inverteu na casa da família Sordi. O ano de 2005 trouxe à professora aposentada Colorinda Emília Sordi, 80 anos, aquela que dizem ser a maior dor que um ser humano pode sentir: a perda de um filho. Após lutar cinco anos contra um câncer, Ieda, a filha mais nova, então com 42 anos, faleceu.

O drama enfrentado pela filha fez dona Colorinda – Colô, como é conhecida pelos mais íntimos – conviver de perto com a triste realidade da falta de sangue nos hospitais. Decidida a fazer sua parte para tentar aliviar a angústia de familiares – que, como os Sordi, sofriam a cada alerta da equipe de médicos e enfermeiros sobre a escassez de sangue nos bancos das instituições –, fez nascer, em parceria com a neta Bárbara, um projeto cujo objetivo é arrecadar doadores jovens, em funcionamento até hoje na UniRitter, em Porto Alegre, e batizado de Doe Sangue!.

O momento decisivo para que a ideia se concretizasse ocorreu quando o feriadão de 1º de maio de 2008 se aproximava. Nos jornais, Colorinda lia os corriqueiros apelos do Hemocentro para a necessidade de estoque de sangue, devido ao esperado aumento no número de acidentes nos feriados. Era o combustível que a professora aposentada precisava para transformar a saudade da filha perdida em vida.

– Um dia perguntei para a minha neta (que é professora na UniRitter) se era possível a gente montar um projeto junto aos jovens para arrecadarmos doadores de sangue. Nesta mesma época, fui convidada para assumir a coordenação dos Projetos Especiais da Associação das Diplomadas Universitárias (entidade sem fins lucrativos, que reúne mulheres com graduação em alguma área). Ou seja, tudo se encaixou – relata Colorinda Sordi.

Uma ideia inovadora

Bárbara Sordi Stock, neta de Colorinda e que à época coordenava o núcleo de Direitos Humanos da UniRitter, logo percebeu que estava diante de ideias ambiciosas da avó.

– Como a vó Colô era consciente das exigências que existem para ser doador, fiquei muito impactada com a ideia. O objetivo proposto por ela era ir mais além do que captar novos doadores, pois centrou o projeto no direito e no dever da sociedade civil de estar informada sobre onde doar, como doar e por que doar – diz a professora, que hoje mora em Sevilha, Espanha, onde faz um doutorado.

Uma vez a cada semestre, a UniRitter disponibiliza uma van para que alunos dos cursos de Direito, BioMedicina, Fisioterapia e Enfermagem sejam transportados até o Hemocentro para doarem sangue. Antes disso, passam por uma palestra na qual mitos e verdades sobre a doação são esclarecidos por dona Colorinda, pela professora Claudia Gay Barbedo (atual coordenadora do programa Doe Sangue! na universidade) e por Maria de Lourdes Peck, coordenadora da captação de doadores do Hemocentro de Porto Alegre.

Se depender do exemplo e da força de vontade de Colorinda e da bondade de pessoas como os alunos da universidade, os estoques deste líquido precioso estarão sempre em alta – salvando vidas e ajudando a espalhar a semente da solidariedade.

A dificuldade de achar jovens dispostos a doar

O projeto liderado pela dona Colorinda Sordi, na UniRitter, mais do que arrecadar doadores de sangue, busca fidelizar o público universitário. Estatísticas do Ministério da Saúde indicam que os doadores no Brasil estão acima dos 29 anos.

Preocupado com essa realidade, o órgão publicou uma Portaria em 2011 baixando a idade mínima para doar de 18 para 16 anos, com autorização dos pais ou responsáveis reconhecida em cartório, tratando-se dos menores.

– Os jovens acabam tendo outras prioridades. Eles estão saindo da adolescência, entrando na faculdade. Então o que acontece é que não temos doadores até os 25 anos – diz a coordenadora de captação de doadores do Hemocentro de Porto Alegre, Maria de Lourdes Peck.

– Em função da campanha estar na sétima edição, percebemos uma fidelidade por parte dos alunos. Isso é uma coisa muito legal, que engrandece a gente – relata a professora Claudia Gay Barbedo, que comanda a ação na Universidade desde 2009.

O estudante de Direito Maicon Maia, 25 anos, esteve entre os cerca de 64 alunos da UniRitter que aderiram ao projeto em 2012. Para ele, doar sangue, mais do que doar vida, é promover a cidadania.

– A gente fica um pouco nervoso no início, mas quando a saímos do Hemocentro, notamos que fizemos a coisa certa, que estamos salvando vidas, que alguém está precisando daquele sangue, isso faz com que o nervosismo vá embora com o tempo – relata Maicon.

Também estudante de Direito, Lais Oliveira Braga, 24 anos, estava ansiosa para a estreia como doadora.

– Acho muito importante esse projeto porque a gente multiplica o conhecimento na universidade. Ele derruba uma série de mitos que ainda existe sobre a doação. Considero um bem que a gente está fazendo para a sociedade em geral – declara Lais.

Colorinda Sordi faz questão de acompanhar pessoalmente o grupo de alunos da UniRitter até o Hemocentro de Porto Alegre. A emoção vem acompanhada da certeza de que conseguiu transformar a dor da ausência da filha morta há sete anos em arrecadação de vidas.

– O Doe Sangue! é um projeto de amor e realização. Doar sangue é doar vida e os universitários que doam sangue conseguem fazer uma obra de amor – diz Colorinda.

Você pode colaborar?

As seguintes condições são exigidas:

> Estar em boas condições de saúde.

> Ter entre 16 e 17 anos – mediante autorização dos pais ou responsáveis – ou, acima disso, ter até 67 anos, 11 meses e 29 dias.

> Portar documento de identidade com foto.

> Ter peso igual ou superior a 50 quilos.

> Ter dormido pelo menos seis horas na noite anterior.

> Não ter ingerido bebida alcoólica nas últimas 12 horas.

> Não estar grávida, nem amamentando.

> Não ter tido contato sexual com pessoas que tenham comportamento de risco para doenças transmissíveis pelo sangue.

> Não fazer uso de drogas injetáveis.

> Não ter contraído enfermidades como sífilis, hepatite, doença de Chagas ou Aids.

Como fazer?

> Vá até o hemocentro da sua cidade com seu documento de identidade com foto e fazer seu registro.

> Aguarde a chamada para a pré-triagem, onde serão verificados seus sinais vitais e hemoglobina/hematócrito.

> A seguir, você será chamado para uma entrevista de triagem clínica onde deverá ser bastante franco com o médico, pois é neste momento que se inicia a avaliação do seu sangue e da sua saúde para evitar que sua doação ponha em risco a saúde das pessoas que irão recebê-lo.

> Logo, você passará à coleta, onde doará cerca de 450ml de sangue que podem ajudar a salvar até quatro vidas.

Onde ir

HEMORGS - HEMOCENTRO DO RS

Av. Bento Gonçalves, 3.722

Fone (51) 3336-6755

Porto Alegre

www.hemocentro.rs.gov.br

HEMOPASSO - HEMOCENTRO DE PASSO FUNDO

Av. Sete de Setembro, 1055

Fone: (54) 3311-5555

Passo Fundo

HEMOCS - HEMOCENTRO DE CAXIAS DO SUL

Rua Ernesto Alves, 2260

Fones: (54) 3290-4576 / 3290-4577

Caxias do Sul

HEMOSAR - HEMOCENTRO DE SANTA ROSA

Rua Boa Vista, 401

Fone: (55) 3511-4343

Santa Rosa

HEMOPEL - HEMOCENTRO DE PELOTAS

Av. Bento Gonçalves, 4569

Fone: (53) 3222-3002

Pelotas

HEMOCENTRO DE CRUZ ALTA

Rua Barão do Rio Branco, 1.445

Fone: (55) 3326-3478

Cruz Alta

HEMOCENTRO DE ALEGRETE

Rua Gen. Sampaio, 10

Fone: (55) 3426-4127

Alegrete

HEMORGS - REGIONAL DE SANTA MARIA

Rua Alameda Santiago do Chile, 35

Fone (55) 3221-5262 ou 3221-5192

Santa Maria

HEMOCENTRO DE PALMEIRA DAS MISSÕES

Rua General Osório, 351

Fone: (55) 3742-5676

Palmeira das Missões

> Depois de encerrada a coleta, você receberá um lanche que lhe ajudará a iniciar o processo de reidratação e informações sobre cuidados pós-doação.

Todo o sangue doado é separado em diferentes componentes, como hemácias, plaquetas e plasma. Desse modo, um adoação pode beneficiar mais de um paciente, que recebe apenas o hemocomponente de que precisa. Os componentes são solicitados pelos hospitais conveniados para o atendimento de internados, casos de urgência e portadores de doenças hematológicas.

> Todas as pessoas que estão passando por tratamentos de saúde, quimioterapia, recuperação cirúrgica, além de acidentados e portadores de algumas doenças de sangue precisam de doações.

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