Estímulo nervoso03/02/2012 | 06h30

Acupuntura é especialidade médica, não terapia alternativa

Profissional acupunturista deve ter conhecimento anatômico e estar capacitado para diagnóstico, defende representante do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura

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Acupuntura é especialidade médica, não terapia alternativa Jefferson Botega/Agencia RBS
Técnica é indicada por especialistas no tratamento de diversas doenças Foto: Jefferson Botega / Agencia RBS

Método terapêutico de neuromodulação periférica originário da China, a acupuntura foi reconhecida, no Brasil, como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina, em 1995. Devido ao procedimento pouco convencional — inserção de agulhas finas na pele — às vezes a acupuntura gera desconfiança nos pacientes. No entanto, a técnica é indicada por especialistas de diferentes áreas no tratamento de diversas doenças e conta com cobertura até mesmo de planos de saúde.

O médico Vinícius Antoniazzi, presidente da seccional Rio Grande do Sul do Colégio Médico Brasileiro de Acupuntura, explica que já existe residência médica nessa área. Outra opção é fazer um curso de especialização. Em alguns casos, a técnica pode ser usada como único tratamento, em outros, é casada com o uso de remédios e outras terapias.

— Importante é que o profissional esteja habilitado e não só saiba como fazer a acupuntura de maneira correta e segura, mas também seja capaz de diagnosticar o problema do paciente e indicar o tratamento adequado — esclarece Antoniazzi.

Muitas vezes, segundo o médico, a acupuntura está tratando um sintoma — a dor — e pode estar sendo ignorada a doença. Daí a importância de o procedimento ser realizado por um médico, que possa perceber o problema e indicar um especialista de outra área para acelerar o tratamento.

— Originalmente, é uma técnica chinesa, mas hoje ela é do mundo, pois agrega conhecimentos da ciência médica, anatomia e fisiologia, com eficácia bastante estudada e documentada — destaca o especialista.

A inserção da agulha estimula as terminações nervosas livres existentes na pele e nos tecidos subjacentes, principalmente nos músculos. A "mensagem" gerada por esses estímulos chega ao sistema nervoso central, desencadeando uma série de reações mediadas por neurotransmissores, que bloqueiam a passagem do estímulo doloroso, minimizando o processo de dor. Daí os efeitos analgésico, anti-inflamatório e relaxante muscular da acupuntura. A Organização Mundial da Saúde listou uma série de doenças tratáveis pela acupuntura, desde doenças neurológicas, psiquiátricas, ortopédicas, respiratórias, reumatológicas, digestivas, entre outras.

Profissionais habilitados

Outras classes de profissionais da saúde, também habilitadas ao exercício da acupuntura, questionam a restrição do procedimento à prática médica. Como não há regulamentação vigente para a profissão de acupunturista e a resolução do CFM não tem valor legal, fisioterapeutas, biomédicos, enfermeiros, entre outros profissionais com treinamento nesse recurso terapêutico também estão aptos ao procedimento. Leia mais.

Preste atenção

Conforme normatização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), as agulhas usadas na acupuntura são consideradas produtos médicos, invasivos, de uso único e com prazo de utilização transitório, portanto, devem ser descartáveis. A reutilização de agulhas pode transmitir hepatites, meningites, mastites, encefalites, entre outras. Elas não devem ser reaproveitadas nem no mesmo paciente.

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