Ao assumir a presidência estadual do PSB, eleito por unanimidade, o deputado federal Beto Albuquerque elegeu como prioridade trabalhar pela candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a presidente da República.
— Eduardo será candidato a presidente. Ele não pode dizer isso agora, porque a política tem seus tempos, mas esse é o desejo do partido. Time que não entra em campo fica sem torcida — diz Beto, citando o exemplo de Lula, que perdeu três eleições até chegar à Presidência.
Na avaliação dos socialistas, Campos tem chances reais de chegar ao segundo turno e de vencer a disputa, mas, se perder, a campanha será útil para torná-lo mais conhecido dos brasileiros. Beto considera mais importante para o projeto de Campos disputar o Palácio do Planalto, mesmo correndo o risco de perder, do que virar senador numa eleição em que não teria concorrentes.
— Se for para o Senado, ele pode virar um Aécio Neves — afirma Beto em tom de provocação, referindo-se à palidez do mandato do ex-governador mineiro.
A propósito de Aécio, os socialistas atribuem ao PT as especulações de que Campos poderia concorrer aliado ao PSDB e ao DEM, com um vice tucano. Diz que isso seria bom para o PT, para poder continuar com o discurso do “nós contra eles”. O governador de Pernambuco quer se apresentar como um aliado que ajudou a garantir a governabilidade para Lula e Dilma, mas quer avanços — ou o que o PSB chama de quarto ciclo.
— O primeiro ciclo foi o da redemocratização, o segundo o da estabilidade da moeda, com o Plano Real, e o terceiro o das políticas sociais, com Lula e Dilma. Para sustentar essas três conquistas, precisamos de desenvolvimento, investimento e ascensão econômica — sintetiza Beto, antecipando o que será o discurso de campanha de Campos.
Na sexta-feira, o governador criticou a antecipação da disputa eleitoral pelo PT, ao lançar a candidatura da presidente Dilma Rousseff à reeleição:
— Nunca vi quem está no governo, sobretudo quem está no governo numa situação de dificuldade, antecipar calendário eleitoral. Nunca vi isso dar certo.
O PSB está conversando com líderes do PDT, do PTB, do PPS e do PSD para tentar montar uma chapa com tempo razoável de rádio e TV. Dos quatro, três estão com Dilma e um, o PPS, é aliado histórico do PSDB, mas dá sinais de que pode buscar outro caminho em 2014. O sonho de consumo dos socialistas é ter o senador Cristovam Buarque como vice de Eduardo Campos.












