Foi com indignação que o presidente estadual do PMDB, deputado Edson Brum, reagiu à notícia de que a Polícia Civil apontou indícios de prática de homicídio culposo por parte do prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer (PMDB), no caso da boate Kiss.
Ele afirmou que as conclusões da Polícia Civil foram "direcionadas" e questionou os motivos que levaram o comandante-geral do Corpo de Bombeiros, Guido Pedroso de Melo, o secretário de Segurança, Airton Michels, e o governador Tarso Genro a não serem alvo também de apontamentos de responsabilidade.
— Quem deveria ter sido apontado junto é o Tarso Genro, que é o chefe dos Bombeiros. Ele e o secretário de Segurança e o comandante dos Bombeiros sequer foram ouvidos. Está muito claro que houve direcionamento — acusou.
Brum entende que os trâmites que determinaram o convite para Schirmer depor e, depois, para a declaração de indicativos de crime, deveriam ter sido aplicados às demais autoridades.
— Se escutaram o prefeito, teria de ter escutado o governador. É a mesma circunstância. Se escutaram funcionários, técnicos, secretário e o prefeito. Por que não fizeram o mesmo trâmite com o Corpo de Bombeiros? No mínimo, deveria ter o mesmo tratamento. É muito fácil colocar a culpa em prefeito. O prefeito sempre é o culpado, enquanto a lei é bem clara ao dizer que o responsável é o Corpo de Bombeiros — disse Brum.
Após a atuação da Polícia Civil, caberá à 4ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça apurar a responsabilidade criminal de Schirmer, que tem foro privilegiado. O inquérito também será enviado à CPI que investiga a tragédia na Câmara de Vereadores de Santa Maria, onde o prefeito poderá sofrer acusações de improbidade administrativa.
O inquérito policial apresentado pela Polícia Civil na tarde desta sexta-feira apontou 28 responsáveis pelo incidente, sendo que 16 indiciados criminalmente.
VÍDEO: imagens que embasaram indiciamento criminal
VÍDEO: a homenagem aos filhos de Santa Maria
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Como aconteceu
O incêndio na boate Kiss, no centro de Santa Maria, começou entre 2h e 3h da madrugada de domingo, dia 27 de janeiro, quando a banda Gurizada Fandangueira, uma das atrações da noite, teria usado efeitos pirotécnicos durante a apresentação. O fogo teria iniciado na espuma do isolamento acústico, no teto da casa noturna.
Sem conseguir sair do estabelecimento, pelo menos 240 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridos.
A tragédia, que teve repercussão internacional, é considerada a maior da história do Rio Grande do Sul e o maior número de mortos nos últimos 50 anos no Brasil.
Em gráfico, entenda os eventos que originaram o fogo:
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