Embora a concessionária Coviplan conte com decisão judicial para se manter no controle do Polo de Carazinho até 28 de dezembro, o Piratini resolveu manter os atos previstos para ocorrer na quarta e quinta-feira da próxima semana.
Tanto a audiência pública do Conselhão, que irá debater o futuro das rodovias, quanto a solenidade de levantamento das cancelas do pedágio, comandada pelo governador Tarso Genro, seguem nos planos.
Veja em quadro quem está em vantagem nas disputas judiciais
— Vamos manter tudo partindo do pressuposto de que vamos obter um recurso para reverter a decisão no Superior Tribunal de Justiça (STJ) — assegurou Marcelo Danéris, secretário do Conselhão.Em Carazinho, seria extinto, na virada de quarta para quinta-feira, o primeiro dos sete polos. Mas a concessionária obteve o direito de permanecer cobrando tarifas. A comissão de mobilização pelo fim do polo, liderada por parlamentares do PT, também resolveu manter as atividades.
Na quarta-feira, após a audiência pública, eles rumarão às praças de cobrança para montar acampamentos e fazer vigílias. Foram alugados carros de som e comprados fogos, faixas, bandeiras. O ato, antes de celebração, agora será de protesto. O Piratini procura ressaltar que não tem relação com o movimento e promete garantir segurança, apesar de a Brigada Militar não estar mobilizada até o momento.
— Isso é um desrespeito à Justiça e uma violência contra a atividade econômica. É uma sabotagem do serviço público. Espero que eles tenham bom senso para desconvocar esse movimento — protestou o presidente da Associação Gaúcha de Concessionárias de Rodovias, Egon Schunck Jr.
Na terça-feira, o governo teve uma baixa política. Em Brasília, o chefe da Casa Civil, Carlos Pestana, recebeu a informação de que o ministro dos Transportes, Paulo Passos, não irá a Carazinho. Aguardado tanto para a audiência quanto para a solenidade, na quinta-feira, Passos será representado por um dirigente do ministério.
Contrastando com o otimismo do Piratini para reverter a decisão da Justiça Federal, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) segue estudando o recurso mais adequado para ingressar no STJ. Entre as dificuldades, está o fato de a decisão favorável à Coviplan sequer ter sido publicada.
ENTREVISTA
Alfonso Willembring Jr., Superintendente da PRF
"Se fizerem bloqueio de rodovia, temos recursos legais"
Superintendente regional substituto da Polícia Rodoviária Federal, o inspetor Alfonso Willembring Jr. diz que está em andamento ação especial para acompanhar os atos no entorno dos pedágios de Carazinho, na próxima semana. A prioridade é proteger motoristas e trabalhadores de eventuais manifestações violentas.
Zero Hora — Há preocupação da PRF com possíveis exaltações nos atos nos pedágios de Carazinho na próxima semana?
Alfonso Willembring Jr. — A preocupação existe, com certeza. Mas ainda temos tempo, pouco menos de uma semana para mobilizar o nosso pessoal. Já foi determinado que as delegacias de Passo Fundo e de Sarandi levantem todas as informações possíveis sobre o caso.
ZH — Haverá alguma ação especial? Quais serão as prioridades?
Willembring - Temos de garantir a ordem, a preservação do patrimônio e a segurança dos usuários das rodovias e dos trabalhadores das praças. Já temos experiência nisso. Se fizerem bloqueio de rodovia ou de passagem pelas cancelas, temos recursos legais preparados para obter judicialmente uma determinação de liberação imediata.
ZH — Quantos policiais o senhor pretende utilizar na operação?
Willembring - O pronto emprego do nosso pessoal está preparado. Temos hoje 14 delegacias no Rio Grande do Sul. O efetivo que vamos levar vai depender muito das informações levantadas, mas, desde já, estamos dando atenção especial ao caso. O que a gente visa é a segurança, não a repressão. As pessoas podem exercer o seu direito de protesto.












