Dezenas de pessoas acompanham o velório do corpo da secretária estadual de Políticas para as Mulheres, Márcia Santana, na tarde desta quarta-feira. A cerimônia ocorre no Salão Negrinho do Pastoreio, do Palácio Piratini, e reúne políticos, líderes comunitários e de movimentos sociais e militantes ligados à defesa dos direitos da mulher.
Estiveram presentes no velório o governador Tarso Genro, que antecipou o retorno de Brasília, e as ministras da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, e da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Sepir), Luiza Bairros.
Muito emocionada, Maria do Rosário reuniu-se com familiares de Márcia à porta fechada e concedeu entrevista à imprensa. Amiga pessoal da secretária, a ministra afirmou que Márcia esbanjava saúde em todo o tempo em que trabalharam juntas, cerca de dez anos, e que nunca apresentou problemas graves.
— É um momento de muito impacto. Márcia foi uma pessoa que se dedicou profundamente a suas causas. Ela acreditava que as mulheres poderiam mudar o mundo — comentou Maria do Rosário.
O corpo de Márcia foi encontrado em casa, no bairro Jardim do Salso, em Porto Alegre. Ela estava com familiares quando teria passado mal e desmaiado. De acordo com as primeiras conclusões da Polícia Civil, a secretária teria tido um infarto fulminante.
Na cerimônia, o clima é de consternação pela morte inesperada da secretária. Segundo familiares e conhecidos, Márcia era mulher saudável.
— Ela passou por uma bateria de exames há cerca de um ano e estava tudo certo. Também nunca se queixou de dor no peito, nem nada parecido — contou Josiani Arruda, amiga e ex-chefe de gabinete da secretária.
Enviada pela presidente Dilma, a ministra da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Sepir), Luiza Bairros, também lamentou a perda.
— Todos nós perdemos com a partida de Márcia. Ela era uma pessoa que viveu muito intensamente seu compromisso com a promoção da igualdade. Para nós, o que resta agora é levar o seu legado e o seu entusiasmos adiante — comentou a ministra.
Homenagem em Brasília
Durante a cerimônia de lançamento de um programa que vai criar centros de assistência para mulheres, a presidente Dilma lamentou a morte da secretária Márcia Santana. A ministra Eleonora Menicucci também fez uma referência ao fato e pediu a todos que ficassem de pé, em homenagem a ela.
Corpo de Márcia foi encaminhado ao Departamento Médico Legal
Foto: Bruno Alencastro
Assistente social e ligada ao movimento feminista, Márcia foi chefe de gabinete da secretária de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, quando deputada federal. Trabalhou pela defesa da infância e fim da exploração sexual de crianças e adolescentes no Rio Grande do Sul e no Brasil, bem como no combate à violência doméstica.
Em seu Twitter pessoal, Maria do Rosário prestou uma homenagem à colega: "Marcia Santana. Minha amiga querida. Exemplo de vida, de dedicação, de senso ético, de amor p/ pessoas, Obrigada por tua luz. Para sempre."
O deputado estadual Edegar Pretto postou: "Triste notícia do falecimento da nossa companheira de tantas lutas, a secretaria Márcia Santana. Perdemos uma grande guerreira."
Já o deputado estadual Aldacir Oliboni (PT), que foi à casa da secretária após receber a notícia do falecimento, escreveu no Facebook: "Nesta madrugada uma amiga, companheira leal e valorosa nos deixou. Uma pessoa alegre e sempre solidária. Márcia Santana, primeira Secretaria Políticas Mulheres do Rio Grande do Sul, fica tranquila que seguiremos tua luta em defesa da autonomia e do protagonismo feminino, contra o abuso e a exploração sexual de crianças e de adolescentes."
Márcia entrou no governo Tarso Genro em 2011. O governador está em Brasília e deve retornar ao Estado nesta quarta-feira para acompanhar os atos fúnebres. A morte de Márcia ocorre no dia em que o Palácio do Planalto irá lançar o programa "Mulher: Viver sem Violência" e que tem apoio da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres.









