Mão na massa05/03/2013 | 04h59

Contra a crise, prefeitos do Estado apelam para a criatividade

Municípios sem recursos obrigam eleitos a malabarismos, como assumir secretarias, para governar

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Contra a crise, prefeitos do Estado apelam para a criatividade Verônica Coppini/especial
Além de atuar sem secretários, prefeito de Jacutinga paga antes credores que oferecem maior desconto Foto: Verônica Coppini / especial
Com cofres vazios e dívidas de 2012 deixadas para trás, 92 municípios do Estado tomam medidas extremas para driblar a crise no início das novas gestões.

Nove deles estão com decreto de situação de emergência e, para driblar a crise, prefeituras vêm criando medidas inusitadas para economizar: entre elas, há até a de prefeitos que governam sem secretários.

Prefeito e vice de Jacutinga, no norte do Estado, fizeram malabarismos durante dois meses para dividir entre si o comando das seis secretarias municipais. Quatro delas ficaram nas mãos do vice-prefeito Roque Tortelli (PSDB) e outras duas com o prefeito Gelsi Luiz Lodea (PT).

— Sofremos reflexos da seca do ano passado, e, com a redução dos repasses do FPM, falta dinheiro — diz Tortelli.

Em outra prática incomum, um decreto foi assinado pelo prefeito parcelando o pagamento das dívidas a partir de uma ordem inusitada: recebe antes quem oferecer o maior desconto. Contas de até R$ 5 mil serão pagas até junho. Acima desse valor, até dezembro. Agora, seguro de como vai pagar as contas, Lodea nomeou seis secretários, mas, por precaução, deixou de fora os cargos em comissão:

— A gente não pode abraçar o mundo, é difícil fazer tudo sozinho.

Em São Gabriel, uma comissão criada para avaliar as dívidas revisou os contratos e encontrou serviços pagos com valor acima do mercado.

— Estamos conseguindo descontos de até 60% nos serviços, e quem não coloca preços justos tem o contrato rompido — conta o prefeito Roque Montagner (PT).

A crise obrigou a prefeitura de Pelotas a reduzir em 20% os cargos em comissão e proibir horas extras, diárias e outras compras. Funcionários cedidos a outras instituições também estão sendo chamados de volta.

— A expectativa que temos é de economizar R$ 2 milhões por mês – afirma o secretário de Gestão Administrativa, José Francisco Cruz.

Caçapava do Sul, que usou o decreto de emergência para regularizar o recolhimento de lixo e o atendimento à saúde, está contando com uma rede de voluntários para vencer a crise. Para manter o parque de máquinas, moradores estão doando diesel de forma anônima.

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