Na tribuna, Miki, com indignação, usou palavras como "deslealdade", "mentira" e "irresponsabilidade".
PSB está irritado desde que, nos bastidores do Piratini, o deputado federal Beto Albuquerque (PSB), que foi secretário de Infraestrutura até novembro, passou a ser culpado pelo atraso nas definições sobre a construção da ERS-010.
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— Um governo sério e transparente não pode dar guarida para esse tipo de coisa. Não vamos aceitar que se façam ilações contra o Beto. São mentiras deslavadas. Tenho convicção de que setores do PT atrapalham o governo — atacou Miki, definindo petistas que atuam no gabinete de Tarso como "burocratas sem voto".
O parlamentar também afirmou que o Piratini não dá andamento ao projeto da ERS-010 (entre Sapiranga e Porto Alegre) porque ele foi concebido no governo Yeda Crusius. A manifestação ocorreu um dia depois de Tarso ter pedido aos aliados que não deixem as questões eleitorais prejudicarem o governo.
– As restrições são políticas – avaliou Miki, resgatando o apoio de prefeitos de diversos partidos à obra, uma alternativa para desafogar o tráfego na Região Metropolitana.
Socialistas devem deixar governo até o fim do ano
No PSB, há uma certeza: o episódio confirmaria a intenção do PT de fritar Beto, que, até então, seria o candidato ao Senado na chapa do governador em 2014. Para os socialistas, a responsabilização do correligionário pelos entraves da ERS-010 é parte de uma estratégia para intimidá-lo.
Beto é um dos articuladores da chapa do governador Eduardo Campos (PSB-PE) à Presidência em 2014. Como Campos deverá enfrentar a presidente Dilma Rousseff, precisa ter candidatos a governador nos Estados, o que exigirá o rompimento do PSB com Tarso.
– Estamos construindo nossa caminho de saída do governo. Poderemos sair até o final do ano. Se Tarso quiser antecipar isso, é com ele – afirmou um parlamentar da sigla.
Tarso: "Peço a Beto que não se sinta atingido"
Em visita ao Uruguai, o governador Tarso Genro tentou colocar panos quentes na controvérsia. Ouvido por ZH, ele disse não ter autorizado críticas a Beto Albuquerque (PSB).
– Não presumo que alguém do governo fizesse declarações que pudessem atingir o Beto. Talvez tenha sido um mal-entendido. Nas relações interpartidárias do governo, não há nenhuma sombra de desequilíbrio.
E completou:
– O governador não chancela qualquer tipo de crítica. Se tenho de criticar, faço pessoalmente. Peço a Beto que não se sinta atingido por isso.
Tarso disse serem legítimas as movimentações dos partidos em relação à eleição de 2014:
– Nenhuma sigla tem o compromisso de compartilhar conosco. Seria uma deslealdade exigir posição diferente.
ENTREVISTA: Beto Grill (PSB), vice-governador
De perfil discreto, o vice-governador Beto Grill (PSB), que na terça-feira esteve em Brasília para participar do anúncio de ampliação do Plano Brasil Sem Miséria, minimizou a polêmica.
Zero Hora – Como o senhor avalia a crise na relação entre PT e PSB no Estado?
Beto Grill – É natural que essas imputações de responsabilidade ao Beto Albuquerque gerem reações. Beto é uma liderança afirmada entre nós, e temos plena confiança na capacidade dele.
ZH – Como vice-governador e militante do PSB, o senhor está desconfortável no governo?
Grill – É evidente que isso causa contrariedade. Mas não é a primeira vez que uma declaração infeliz de uma ou outra parte traz essas discussões. O meu papel é superar isso. Nossa aliança é exemplo de convivência política para o Brasil.
ZH – Afinal, quem é o culpado pelo atraso nas decisões sobre a ERS-010? O PT ou Beto?
Grill – Tenho convicção de que Beto tomou as medidas adequadas. E o governador teve postura excelente, procurando o melhor para o nosso Estado. Não vou entrar no mérito, mas confio no Beto e tenho lealdade ao governador.
ZH – Líderes do PSB falam em deixar o governo até o final do ano. O senhor concorda?
Grill – Não entendo dessa forma. A candidatura de Eduardo Campos à Presidência é um fator externo. Se ela se materializar, seguramente vai influenciar a decisão do PSB no contexto estadual.
ZH – O senhor almoçou com Beto Albuquerque na Câmara. Como foi o diálogo?
Grill – Ele está aborrecido. Mas ele já deu a sua resposta, repelindo qualquer responsabilidade. Ele não aceita essa tese e sabe que fez o melhor. Também falamos sobre a candidatura de Campos. É nosso dever popularizar o nome dele na Região Sul.












